Agricultoras querem licença-maternidade de seis meses para todas as mulheres

Agricultoras querem licença-maternidade de seis meses para todas as mulheres

Juciele, grávida de oito meses, com o marido Jean Costa:
“independente de onde elas trabalharem, principalmente
se forem trabalhadoras do lar”.

O Coletivo de Mulheres da Federação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf-Sul/CUT) está se organizando para pedir que licença-maternidade de seis meses se torne em lei. A proposta é para que se institua um salário-maternidade para todas as mulheres, sejam empresárias, agricultoras, donas-de-casa ou profissionais liberais.

Cleonice Back, coordenadora do Coletivo de Mulheres, esteve em Francisco Beltrão durante a reunião de líderes sindicais, esta semana, na Casa de Formação Divino Mestre. A agricultora disse que o primeiro passo é reunir 500 mil nomes em um abaixo-assinado por meio dos sindicatos rurais dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

“Hoje só algumas mulheres urbanas tem acesso aos seis meses de licença. Nós queremos que este seja um direito de todas as mulheres, independente de ser agricultora ou não. A discussão começou no ano passado e já foi levada para conferências nacionais. Agora queremos pedir ajuda de toda a população em um abaixo-assinado”, expõem.

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Segundo Cleonice, depois de coletadas as assinaturas, a próxima etapa é reunir as mulheres em um grande evento. O encontro está agendado para ocorrer em 23 de novembro, no Rio Grande do Sul. “Estamos querendo que a presidente Dilma participe deste encontro. Queremos entregar o abaixo-assinado pedindo os seis meses de salário-maternidade para todas as mulheres.”

O secretário geral da Fetraf-Sul/CUT Diego Kohwald e o coordenador estadual do Rio Grande do Sul, Roberto Balen, já disseram que as mulheres têm um papel fundamental na organização sindical. “Vamos assumir o compromisso de ajudar a organizar as mulheres em 2012”, comentou Diego.

Para Cleonice, o empenho da população feminina do Sul do país é fundamental. “Precisamos estar mais envolvidas nos debates que envolvem não somente a Agricultura Familiar, mas a sociedade em um todo”, disse.

Elizangela Morais está grávida de seis meses e já se prepara para deixar a empresa onde trabalha. Ela diz que se sente dividida entre a profissão e a maternidade. “Eu acho que é bom por poder ficar com o bebê. Mas por outro lado (no caso dos seis meses), a pessoa fica meio ano fora da empresa”, avalia Elizangela.

À espera pelo nascimento do bebê que vai se chamar Gabriel, ela reforça que é preciso considerar os dois papéis, de mãe e de profissional. “Eu ainda não conversei com a direção sobre quanto tempo vou ficar fora, se quatro ou seis meses”, conta Elizangela que já é mãe do Eduardo, de 5 anos – na época da primeira gestação ela ainda não trabalhava.

Juciele Bianconi está grávida de oito meses e também se posiciona favorável a proposta. “Independente de onde elas trabalharem, principalmente se forem trabalhadoras do lar, após o nascimento do bebê estas mulheres precisam de um auxílio para se manter e voltarem à ativa. A grande maioria não tem condições de ter alguém para auxiliar. E não é fácil lidar com uma casa e uma criança ao mesmo tempo”, prevê a futura mamãe do Nícolas.

 

Opinião de especialistas

O especialista em direito previdenciário Irineu Muller entende que é preciso criar outra fonte para o benefício à maternidade. “Eu acho que as mulheres devem reivindicar, mas não pode ser um ônus da Previdência Social. A previdência tem fechado com déficit anual de R$ 40 bilhões. Por isso vejo com algumas preocupações”, pondera.

Para Irineu, esta seria uma forma de considerar resultados econômicos de longo prazo. “Olhando a luta das mulheres, isso é muito importante. Quem está formando a futura mão-de-obra, o futuro brasileiro são estas mulheres. Para as mães de família mais necessitadas, este salário de alguns meses com certeza iria ajudar muito”, diz.

O diretor do departamento de Recursos Humanos da prefeitura de Beltrão, Jocelei Pedrebon, também concorda com a reivindicação. “Eu acho justo, quantas mulheres que ficam desamparadas após a gravidez”, analisa. “Acho que caberia fazer isto pelo Ministério de Ação Social; a previdência cobre as suas seguradas, mas acho que teria como o Governo instituir um benefício para as demais.”

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