Mosquito da dengue resiste à estiagem e continua fazendo vítimas
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O mosquito que prolifera a dengue está se saindo mais esperto do que se imaginava. Depois do longo período de estiagem no Sudoeste, o departamento de Vigilância em Saúde de Francisco Beltrão voltou a encontrar larvas da fêmea do aedes aegypti. Os ovos, portanto, resistiram à seca e se fortaleceram no calor e nas últimas chuvas.
“O mosquito se mantém por causa do criadouro, onde ele deposita os ovos. A fêmea prevê que em algum momento terá água ali. Se tiver o mínimo de água, vai ter uma proliferação pequena. Mas quando chove, a infestação que era pequena aumenta. A mosquetinha é muito esperta”, comenta o supervisor Antônio dos Anjos, de Curitiba, que está em Beltrão acompanhando os trabalhos da dengue.
Até ontem haviam sido registrados dois casos: um importado do Mato Grosso e outro autóctone, do bairro Antônio Cantelmo Neto, ambos na primeira semana do ano. Na sequência surgiram 20 notificações, todas descartadas. Outros oito exames ainda aguardam o resultado do Laboratório Central do Estado (Lacen).
Para tornar os trabalhos mais rápidos, a Secretaria de Saúde acertou com um laboratório local que dá o parecer já no dia seguinte. Mesmo assim, o material coletado da pessoa com suspeita de dengue também é enviado ao Lacen. Esta medida, segundo a Vigilância em Saúde, facilita as estratégias adotadas de prevenção e combate ao aedes eagypti.
José Guilherme é agente comunitário e morador do bairro Cantelmo. Ele tem acompanhado de perto todo o trabalho de prevenção, orientação e descarte de objetos que possam facilitar a criação do mosquito da dengue. “Em dois quarteirões, onde fizemos um bloqueio, foram encontramos mosquitos adultos”, conta. Em algumas ruas também já está sendo usado o fumacê.
No bairro Cantelmo, na semana passada foi feito o descarte em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente. Os agentes de endemias visitaram as casas e ajudaram os moradores a reunir todos os objetos que pudessem acumular água. Depois um caminhão percorreu as ruas retirando o lixo.
30 mil imóveis
O reconhecimento geográfico será outra arma contra a dengue. A contagem de cada imóvel vai possibilitar, por exemplo, solicitar o aumento da equipe que está à frente do combate. “Isso nos ajuda a justificar junto ao ministério, a administração e a câmara a necessidade de contratarmos mais agentes”, explica Alfonso Bruzamarello, chefe da Vigilância em Saúde.
A expectativa é que o reconhecimento geográfico comprove que o município possui mais de 30 mil imóveis. “O ideal é um agente para cada mil imóveis. Então teremos que ter 30 agentes e mais três supervisores, totalizando 33 pessoas”, diz Alfonso. Por enquanto, o departamento aguarda a aprovação para a contratação de mais oito agentes de endemias — atualmente são 25.
“Quando surgiram as primeiras notificações, fomos orientados a fazer a PVE (Pesquisa vetorial especial) para nos dar incidência de larvas em cada bairro. Isso ajuda a definir se faz o descarte ou passa o fumacê”, diz. O PVE é feito a partir das suspeitas de dengue.
Também está sendo solicitado o apoio de igrejas, escolas e entidades. “Pedimos a participação da comunidade para que se mantenha vigilante e cuidadosa a respeito da dengue. Se cada família destinar dez minutos para cuidar do seu território, já é suficiente.”
Reciclagem com os agentes
Na primeira semana de janeiro, o departamento de Vigilância em Saúde reuniu os agentes de endemias para um curso de reciclagem com o supervisor estadual Antônio dos Anjos. Nas visitas aos bairros, Antônio concluiu que seria necessário intensificar o trabalho de combate à dengue.
“Durante a reciclagem, no trabalho de campo, foi oportuno fazer um bloqueio real por causa de uma pessoa que estava com sintomas. Ao fazermos o bloqueio, encontrado muito foco de mosquito. Com o microscópio identificamos as larvas. Passamos a analisar melhor os bairros, pois a questão larvária é maior do que esperávamos.”
Mesmo assim, Antônio garante que a situação em Beltrão está sob controle. “O que nos deixa desconfortáveis são as larvas positivas do mosquito que foram encontradas”, diz. “Mas o resultado das notificações está dando não reagentes, felizmente. E o município está fazendo a sua parte, se preocupou primeiro com a qualidade de trabalho dos seus agentes”, disse sobre o curso de reciclagem.
Dúvidas e denúncias
Para denunciar ou tirar dúvidas, é só entrar em contato com os departamentos responsáveis pelo combate à dengue de Francisco Beltrão. O número da Vigilância em Saúde é o 3520-2130.
Para falar com o departamento de Endemias é só ligar para o número 3523-2441.






