Cerca de 70% das crianças podem sofrer com dores nas costas por causa da mochila

Cerca de 70% das crianças podem sofrer com dores nas costas por causa da mochila

 O uso da mochila escolar já pode ser considerado assunto de saúde. Isso porque, com a volta às aulas, aumentam as reclamações de que o acessório é pesado demais. São livros, cadernos, estojo com quantidade de canetas e lápis que vão aumentando ano a ano e outros objetos que deixam de ser necessários para o aprendizado. Na hora de estudar, é preciso estar de bem com a cabeça e também com o corpo.

Segundo a fisioterapeuta chefe do Instituto Affonso Ferreira em Campinas (SP), Sylvia Helena Ferreira da Cunha Henriques, cerca de 70% das crianças e adolescentes em idade escolar tendem a sofrer dores nas costas devido ao carregamento de mochilas pesadas.

“O excesso de peso pode, ao longo dos 12 anos de escolaridade, causar problemas crônicos que persistem na vida adulta. Os riscos incluem tensão muscular, distorções das curvaturas naturais da coluna vertebral e protusão dos ombros. Com os ossos ainda em formação, pode determinar alterações posturais definitivas”, alerta Henriques.

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Durante o período escolar, a coluna de crianças e adolescentes ainda está em fase de adaptação e não está completamente formada. O fisioterapeuta Rafael Zapelini, da Clínica Zanatta, de Francisco Beltrão, lembra alguns dos riscos que a má postura pode provocar. “Alteração postural que começa a forçar a estrutura óssea, muscular e ligamentar que pode gerar desgaste com o passar do tempo e trazer pressão nas víceras”, comenta.

De acordo com o fisioterapeuta, a melhor forma de usar o acessório é dividindo o peso. Por isso a mochila de alça acaba sendo a opção recomendável. “As de rodinhas são ideais para terrenos planos. Mas se a criança precisar carregar, a mochila fica até mais pesada por causa das rodas”, compara. “E o ideal é não usar aquelas unilaterais, em que o peso fica ou de um lado ou de outro do corpo.”

Embora a utilização errada da mochila seja um grande problema, Rafael alerta também para o peso que é carregado. “Para crianças da pré-escola, geralmente com idade entre 4 e 5 anos, o ideal é 5% de sua massa corporal. A partir dos 6 anos, recomenda-se 10% do peso do corpo”, orienta o fisioterapeuta.

Ele lembra, no entanto, que o diálogo entre pais e escola é fundamental para evitar problemas de saúde nos alunos. “Tem muitos livros que não são necessários diariamente, que daria pra deixar em casa”, sugere Rafael, numa tentativa de estender a discussão da saúde à comunidade escolar.

 

Apostila fica na escola

A intenção de se evitar o excesso de peso já faz parte da rotina na Escola Betel. As classes da educação infantil e do primeiro ano deixam a apostila na instituição e só levam para casa raramente. “A apostila é o que tem o maior volume. Ela só vai pra casa quando tem uma tarefa, mas isso eventualmente. Na mochila das crianças elas trazem só uma roupinha extra, toalha e a agenda”, informa o diretor Fábio Ebert.

A recomendação é outra para os alunos das turmas do 2º ao 5º ano. Estes, sim, precisam levar a apostila e até três cadernos pequenos de 48 folhas. “A partir desta idade eles já têm horário das aulas. Portanto, só precisam trazer os cadernos necessários, são três disciplinas por dia”, diz o diretor.

Fábio, que também é enfermeiro, entende que o peso da mochila escolar deve ser sempre repensado. “Tem crianças que acabam trazendo muita coisa. Não há uma fiscalização dos pais. Mas para as crianças com até 6 anos, seguramos o material na escola pensando justamente na saúde dela, para que ela não tenha nenhum esforço além do que a coluna pode suportar.”

 

Mochilas de rodinhas

Sobre as mochilas de rodinhas, preferidas das crianças, é importante lembrar-se do peso que é superior às de alças. E, neste assunto, o alerta é da fisioterapeuta Sylvia, de Campinas. “Os modelos com rodinhas podem provocar lesões pelo seu peso que costuma ser maior que as mochilas de alças, assim como o desconforto para levá-las em escadas, muito comuns nas escolas. A recomendação para utilização desse tipo de mochila é empurrar o peso e não puxar.” (*Com informações de assessorias)

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