Ministério da Saúde incentiva alimentação saudável em escolas particulares
![]() |
| Na Escola Betel, não tem cara feia na hora do lanche cheio de frutas. |
As instituições de ensino particulares deverão ter alimentos ainda mais saudáveis em suas cantinas. É o que prevê um acordo do Ministério da Saúde com a Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep). A proposta é difundir as diretrizes do manual do governo federal sobre alimentação saudável em estabelecimentos de ensino privado de todo o país.
No Paraná, a lei 14.423/2004 proíbe comidas que sejam prejudiciais à saúde. Balas, salgadinhos, frituras e refrigerantes foram banidos da alimentação tanto de escolas públicas como das pagas. O diretor da Escola Betel de Francisco Beltrão, Fábio Ebert, lembra que, à época, enviou bilhete informativo aos pais sobre a nova norma. “Hoje temos 2% dos alunos que trazem lanche de casa, os demais comem todos na escola”, conta.
Fábio ressalta que o preparo do lanche é orientado por uma economista doméstica e, em breve, também será por uma nutricionista. “Alguns pais pagam mensalmente para que os filhos comam o lanche da escola. Aqui nós servimos um doce, um salgado, suco de polpa ou de fruta e, no mínimo, duas frutas por dia”, diz.
A escolha dos produtos para a merenda escolar é feita com o máximo de rigor. A própria escola vai aos supermercados para fazer as compras. Do presunto para o sanduíche ao suco de polpa, tudo é escolhido a dedo. “Procuramos optar pelos alimentos mais frescos; e eu já aproveito pra trazer tudo fatiado. Assim evita peças para serem manipuladas aqui na escola”, conta Márcia Abasto, da Escola Betel.
E o tempo, neste caso, é motivo de investimento. “Eu poderia deixar esta tarefa para uma das cozinheiras. Mas prefiro ir eu pessoalmente ao supermercado para garantir a qualidade. Como já temos que ir comprar as frutas e legumes todos os dias, aproveito pra ver as outras coisas”, comenta Márcia.
Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também é responsabilidade da escola promover uma consciência correta sobre alimentação. “O hábito alimentar começa a se formar na infância e esse hábito não é formado apenas em casa. A escola tem papel fundamental nesta educação. Nosso esforço é para difundir os hábitos da alimentação saudável”, comentou.
As escolas que oferecerem alimentos mais saudáveis serão reconhecidas pelo Ministério da Saúde e a Fenep. “Criaremos estratégias de reconhecimento para as escolas que adotarem a alimentação saudável nas cantinas. É uma forma de saber que aquelas cantinas seguem as diretrizes do Ministério da Saúde”, explicou o ministro.
Obesidade infantil
O foco do Ministério da Saúde na melhoria da qualidade da alimentação escolar visa combater o avanço da obesidade infantil. Estimativas do ministério apontam que cerca de 525 mil crianças e 140 mil adolescentes têm obesidade mórbida no Brasil.
Segundo a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 34,8% das crianças com idade entre 5 e 9 anos está acima do peso recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde. Ainda de acordo com a OMS, um ambiente favorável às escolhas alimentares saudáveis para crianças é fundamental para redução da obesidade infantil.
Já na faixa de 10 a 19 anos, 21,7% dos brasileiros apresentam excesso de peso –— em 1970, este índice estava em 3,7%. Neste grupo, o índice de massa corporal (IMC) — razão entre o peso e o quadrado da altura —deve ficar entre 13 e 17. A manutenção do peso adequado desde a infância é um dos principais fatores para a prevenção na fase adulta.
Os maus hábitos alimentares dos estudantes brasileiros também podem ser constatados nos resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar. A avaliação apontou que apenas um terço dos alunos matriculados no ensino fundamental da rede privada consome frutas e hortaliças em cinco dias ou mais na semana. Já refrigerantes e frituras fazem parte da rotina alimentar de 40% dos alunos. (*Com informaçõies da assessoria).







