Câncer de mama: sucesso do tratamento está na informação
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| Centro cirúrgico do Ceonc, que atende, todos os meses, cerca de mil pacientes. |
A maioria das brasileiras ainda sofre com a demora do tratamento contra o câncer de mama. A recomendação é para que a cirurgia seja realizada, no máximo, três meses após a biópsia. Mas o trabalho de associações como a Mão Amiga e o Hospital do Câncer (Ceonc) de Francisco Beltrão tem contribuído para a modificação desta realidade no Sudoeste.
A radiologia ainda está para ser liberada, mas o Ceonc já oferece quimioterapia para todos os tipos de câncer e tratamento completo do câncer de mama, que representa de 30 a 40% dos atendimentos — são cerca de mil pacientes por mês.
O sucesso no combate à doença pode estar na informação às mulheres. Pois quanto mais rápido for diagnosticada e tratada, maiores são as chances de tratamento e cura da paciente. O caminho que ela faz, entre o posto de saúde e o serviço de oncologia, pode ser decisivo para uma orientação importante ou o diagnóstico de uma cirurgia.
Entre 2006 e 2009, uma pesquisa em centros de oncologia do Brasil mostrou que apenas 20% das mulheres são diagnosticadas em estágio inicial do câncer de mama. E o pior: na rede pública, 37% das mulheres descobrem a doença muito tarde.
Mas o Ministério da Saúde afirma que o país possui mais de 2,5 mil mamógrafos, quantidade acima do previsto para atender a população. Segundo a pasta, o tratamento de alta complexidade oferecido pelo SUS é o mesmo da rede privada.
A estimativa é que, ao todo, 75% dos brasileiros dependem da rede pública como principal meio de atendimento à saúde. “O Brasil é muito grande e em algumas regiões do país não tem atendimento mesmo”, confirma o oncologista Daniel Rech, do Ceonc.
O oncologista Max Mano, do Instituto do Câncer de São Paulo, lembra que é muito difícil que o tratamento definitivo, no sistema público, seja feito antes de um semestre. “E você perder seis meses pode ter uma diferença enorme para a paciente, pode prejudicá-la”, aponta.
Para o dr. Daniel, o período entre os exames e o resultado também é outro problema e pode se tornar em um drama. “Imaginar que talvez tenha um câncer na mama e esperar um mês só pra fazer o diagnóstico é um horror. É possível esperar um pouco sem problema nenhum, de 20 a 30 dias, mas aguardar numa fila de três meses, isso é desumano.”
O protocolo mais indicado é que as mulheres procurem os postos de saúde para fazer a mamografia. Quando uma paciente com suspeita é identificada, ela deve ser encaminhada para o serviço especializado mais próximo, que fará uma investigação. “Numa lesão de mama suspeita, manda-se para alguém com especialidade. Identificado o possível tumor, faz-se biópsia ou não. Depois disso, encaminha-se pra um serviço de oncologia que, se a região não tiver, certamente o Estado tem. Esse deveria ser o ideal”, analisa Daniel.
Boa logística no Sudoeste
No caminho em direção ao diagnóstico e à cura, a informação é considerada a principal aliada da mulher. “O maior risco de falha é a mulher não saber onde tem que ir. E eu tenho visto que no Sudoeste isso tem melhorado cada vez mais. Em nossa região, a rede de saúde sabe pra onde deve encaminhar a mulher pra fazer a mamografia”, elogia o oncologista.
E completa: “Se der alguma suspeita de câncer, essa mulher vem diretamente pra nós, no Ceonc, ou vai para serviços como o Ser Mulher, que tem ginecologista e mastologista. Quando tem alteração, as enfermeiras e médicos da cidade já fazem o encaminhamento pra dar sequência na investigação”.
Rapidez x demora
Ao se deparar com alterações no exame da mama, a mulher é orientada imediatamente. “Se tem alguma coisa, já faz biópsia no consultório mesmo. Dependendo da situação a gente já traz pro bloco cirúrgico e retira o nódulo. É nossa obrigação identificar o problema e resolver”, diz Daniel.
Outro contraste nos diagnósticos de câncer de mama no Sudoeste é a demora das mulheres; não para receber tratamento, mas para procurar ajuda. “Quanto mais demorar pra chegar até nós, mais vamos demorar pra fazer o diagnóstico. Quanto mais demorar, maior pode ser o tumor.”
“Nossa regional está melhorando. Mas aqui é uma ilha, se sair daqui, cai nesta situação de demora. As mulheres não chegam ao serviço, não fazem os exames. Na grande maioria das cidades brasileiras, as mulheres não chegam a tempo. Não é o nosso caso. Em cidades maiores, como nas capitais, até se consegue resolver. Mas nas cidades menores não”, sintetiza o oncologista Daniel.





