privilégios
É impossível parar a evolução. Por mais que alguns resistam, ela sempre acaba vencendo. Muitas vezes o medo interrompe o processo evolutivo. Uma grande empresa de máquinas de datilografar difamava os computadores, afirmando que eles jamais seriam produtos usuais entre a população, mas não deu outra, eles estão aí. O fim de certos produtos ou processos de produção é algo natural frente à chegada de produtos melhores e maneiras mais eficazes de atender as necessidades das pessoas. Automóveis substituíram os cavalos, energia elétrica acabou com a indústria de velas, tratores e colheitadeiras eliminaram vários trabalhos no campo, o e-mail substituiu a carta e vídeocassetes foram substituídos pelos DVDs que por hora já foram substituídos por vídeos na internet. É fácil perceber que diversas profissões foram eliminadas no processo de evolução, mas também várias novas profissões foram criadas. Há quem diga que algumas mudanças lesaram industrias e prejudicaram milhões de trabalhadores, todavia são inegáveis os benefícios dessas mudanças, ou alguém gostaria de viver sem energia elétrica ou sem internet? Mesmo sabendo de tudo isso, por que alguns são resistentes às evoluções? Um bom exemplo vem do aplicativo Uber. A revolta dos taxistas em relação à nova forma de transportar é digna de fatos históricos, como trabalhadores quebrando máquinas na revolução industrial. A questão tangente nesses casos é o medo de perder benefícios e ver seus interesses prejudicados. Esse é apenas um caso. A questão de manutenção de privilégios e manutenção de interesses vai bem mais além no Brasil. Imposto sindical obrigatório é outro exemplo, num País que possui mais de 10 mil sindicatos qualificados para receber a contribuição. Uma parte dessas entidades presta grandes benefícios aos trabalhadores, mas em muitos casos são mais um ‘cabide’ para partidos e políticos. Quando você quer abrir uma empresa ou abrir uma conta no banco, por mais simples que isso seja, irá se deparar com necessidade de documentos, carimbos, autenticações e mais uma dezena de atravessadores. Será que há realmente necessidade de tudo isso ou é mais para abastecer o bolso desses que não querem ver seus ‘interesses’ prejudicados? Veja a quantidade de pessoas que são a favor e contra as reformas. Normalmente os que são contra é porque estão tendo seus benefícios alterados ou de alguém próximo, o que impacta diretamente em seus bolsos. Na verdade é que quando se mexe nos interesses de categorias é inevitável a resistência. Muitos direitos foram incluídos durante a troca de favores entre partidos e legisladores, prática que se tornou normal no Congresso. O problema é que agora fica difícil de tirar, dói. É o caso das diárias, das cotas, das despesas extraordinárias.





