A melhor ajuda que o governo poderia dar a todos é: primeiro, oferecer serviços públicos de qualidade e filtrá-los para quem realmente necessita, com
A meritocracia naturalmente causa desigualdades, embora as igualdades de oportunidades sejam as mesmas. Contudo, as possibilidades de competição diferem por inúmeros motivos justificáveis, e aqui entra o papel do Estado. Porém, alguns motivos não são justificáveis. Pessoas com igualdade de oportunidades não se esforçam o suficiente para atingir um padrão de renda maior e ainda transferem para o governo a culpa disso. Há, no entanto, uma mistura das duas coisas, aqueles que realmente necessitam da equiparação causada pela desigualdade justificável e aqueles que se aproveitam dessa situação, fazendo-se de coitados e vítimas. Essa mistura causa confusão para o governo, que já é atrapalhado, e causa ele mesmo desigualdades e injustiças. Um exemplo é o aumento de impostos para aumentar a arrecadação. A lógica é tirar de quem tem mais para dar para quem tem menos. Dessa forma, empresas fecham e se perdem vagas de emprego. É como trocar seis por meia dúzia, se intrometendo em assunto privado para resolver mazelas por ele mesmo criadas. No longo prazo todos saem prejudicados, pois sem as empresas não há arrecadação, além, é claro, do incentivo à sonegação. É sempre preferível que o País cresça, mesmo que a distribuição de renda não avance na mesma medida, porque no final das contas todos estarão ganhando mais. Produzir igualdade à força pode funcionar no curto prazo, mas em alguns anos as distorções irão aparecer. A principal prejudicada é sempre a classe média, que tem seu tributo na fonte e não tem espaço para negociação de suas dívidas. A classe alta tende a migrar seus investimentos, se a coisa não está boa: ela muda de País ou, na pior das hipóteses, fecha suas fábricas e aplica em algum investimento cujos juros são equivalentes. Já a classe baixa, protegida por mecanismos do governo, se vê sem incentivo para procurar trabalho e não pensa em empreender, seja para vender um picolé. A melhor ajuda que o governo poderia dar a todos é: primeiro, oferecer serviços públicos de qualidade e filtrá-los para quem realmente necessita, como é o caso das universidades públicas, onde pessoas abastadas estudam sem gastar um centavo; e, segundo, não fazer testes econômicos baseados em ‘estilos’ políticos, direita ou esquerda, e, para isso, ter gente séria nos cargos de decisão, que se realizem estudos e se tenha comprovado conhecimento do que se está fazendo. Se fizer assim, não terá que se preocupar com distribuição de renda.




