Se todos os setores que se sentirem prejudicados solicitarem intervenção nos preços, a tarefa do governo ficará inviável. Para atender às demandas de um determinado setor, normalmente o governo tirará recursos de outro.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) foi divulgado na semana passada, com alta de 1,11%, sendo a maior variação do indicador para os últimos 20 anos. A última vez que variou tanto foi em 1995, subindo 2,25%, de acordo com o IBGE. A causa principal se deu primeiramente à greve dos caminhoneiros e pela conta de energia. Essa variação comprometeu todas as previsões anuais, uma vez que a meta de inflação do governo de 4,5% já acumula 2,35% no primeiro semestre. O estrago causado pela greve dos caminhoneiros na economia está apenas dando os primeiros sinais. Espera-se que mais impactos ocorram, como, por exemplo, no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que tende crescer menos do que esperado no início desse ano. A perda de confiança do investidor foi algo que ocorreu de imediato e a segurança demora a voltar, ainda mais com ameaças de novas greves, inclusive de outros setores. Em relação ao PIB, o impacto previsto é de 0,3%, algo próximo de R$ 100 bilhões em prejuízo aos setores da economia. O principal prejudicado pode ser o agronegócio, que teve produtos perdidos durante a greve, como aves e leite, interrompendo a produção por período mais estendido que o da própria greve. O governo também ficou no prejuízo, deixando de arrecadar aproximadamente R$ 4,7 bilhões, mas esse valor, diferentemente dos produtores rurais, será recuperado com aumento de outros impostos. Se todos os setores que se sentirem prejudicados solicitarem intervenção nos preços, a tarefa do governo ficará inviável. Certamente a comoção popular e apoio à greve se deu no momento em que o País está mergulhado em casos de corrupção e na má gestão dos recursos públicos. Para atender às demandas de um determinado setor, normalmente o governo tirará recursos de outro. Sendo assim, além dos prejuízos causados, algum setor terá seus recursos reduzidos, podendo ser educação, saúde ou segurança. A situação dos caminhoneiros não melhorou o quanto deveria, e agora a situação de outros setores começa a se complicar. Mas a greve deveria ter acontecido? Certamente que sim, pois a população não aguenta mais tanto desgoverno. Infelizmente, às vezes é da pior forma que ocorrem mudanças.





