A ordem com que as características são colocadas influencia na maneira como a pessoa é vista, mesmo que estas características sejam iguais para ambas.
A primeira impressão é a que fica. Esse é um ditado que foi comprovado cientificamente. Leia a seguintes sentenças sobre Alan e Roberto: Alan — inteligente, esforçado, impulsivo, crítico, obstinado e invejoso; Roberto – invejoso, obstinado, crítico, impulsivo, esforçado e inteligente. Há mudanças na maneira como ambos são vistos, pois a ordem das palavras afeta o que vamos pensar sobre eles. Esta conclusão está no livro de Daniel Kaneman “Rápido e devagar: duas formas de pensar”, o qual indico a leitura. Nas sentenças acima, sobre Alan, a percepção de alguém inteligente e obstinado fica até mesmo justificável. Já uma pessoa obstinada e invejosa é no mínimo considerada perigosa, como é a visão da maioria sobre Roberto. A ordem com que as características são colocadas influencia na maneira como a pessoa é vista, mesmo que estas características sejam iguais para ambas. Muitos de nós somos enganados pela primeira impressão. A simpatia de alguém que lhe atende em determinado lugar não significa que essa pessoa seja boa. Todavia, levamos em conta o fato do bom atendimento para julgarmos se é boa ou ruim em outros aspectos que nada tem a ver com o atendimento em questão. Isso acontece em eleições, por exemplo. Estudos comprovam que os eleitores tendem a votar pela aparência, desconsiderando outros fatos mais importantes, como competência e capacidade. Sabendo disso, responsáveis pelas campanhas utilizam esse efeito a seu favor, colocando o candidato em aparências e situações favoráveis, prendendo a atenção do eleitor para o que menos interessa, mas que de certa forma está na sua capacidade de interpretação mais imediata. Outro efeito que acontece é o de aceitarmos tudo que a pessoa faz como excelente, baseado no pouco que conhecemos dela. Ou seja, se ela é boa em uma coisa que se propôs na primeira vez que a vi fazendo aquilo, será boa também em outras coisas. Na propaganda de TV é comum vermos jogadores, atletas e demais profissionais bons no que fazem, opinando sobre automóveis, alimentos, bebidas e vários outros produtos. Não é que elas entendam daquilo, mas, pelo fato de serem bons em algo, acredita-se que sabem o que estão fazendo. Isso normalmente nos faz cair em erros. Muitas vezes superestimamos características das pessoas, levando em consideração apenas um fato que sabemos sobre ela. Uma marca que produz um carro muito bom, e causa impacto positivo nos primeiros compradores, consegue com que esse efeito recaia sobre outros veículos da mesma marca. Mas o que fazer para eliminar esse efeito? A resposta é deixar a preguiça de lado e analisar melhor. No caso de um candidato, conhecê-lo profundamente, saber seu histórico e tendências, ler coisas ruins sobre ele, não apenas o que lhe convém, e depois tirar suas conclusões.




