Apesar do estresse previsto com a eleição, a situação do País só piora em casos de muita incompetência da futura equipe econômica do presidente eleito.
O Comitê de Política Monetária (Copom) agiu como já era esperado ao manter a taxa Selic em 6,5% ao ano. A decisão foi unânime entre os membros do grupo. No relatório, consta uma previsão inflacionária de 4,4% para este ano e 4,5% para o próximo, juntamente com o dólar no patamar de R$ 4,15, o que abre caminho para uma inflação mais alta. Fica claro que o Brasil precisa de fluxo monetário, mas isso depende do aumento da confiança, que há tempos está enfraquecida. Se o estímulo não ocorrer, a taxa Selic deve sair da zona de conforto e aumentar em 0,5%. Indicadores sinalizam que a inflação está controlada, pois mesmo diante da greve dos caminhoneiros, que fez os preços aumentarem, o IPCA-15 acumulado é de 3,23% e não há previsão de pressão por parte do consumo, que continua enfraquecido. Os destaques ficam no campo político, pois os desdobramentos das pesquisas eleitorais mexem com o mercado a cada novo resultado. No campo internacional seguem as tensões entre EUA e China e as tarifas que entrarão em vigor nos próximos dias, que podem chegar a US$ 200 bilhões para produtos importados da China, a qual deve responder à altura, taxando produtos norte-americanos em grande escala. O cenário também é indefinido para as empresas. O índice Bovespa segue estável, com leve inclinação positiva, e a aposta é em recuperação no curto prazo, acompanhando o cenário eleitoral que, quanto mais claro ficar, melhor, uma vez que o mercado não simpatiza com incerteza. Cabe lembrar que a fuga de capital estrangeiro está evidente em 2018 e tende a melhorar somente após as eleições. Apesar do estresse previsto com a eleição, a situação do país só piora em casos de muita incompetência da futura equipe econômica do presidente eleito. Deverão haver atitudes muito equivocadas para que o país não cresça — porém, o crescimento pode ser mais rápido caso decisões sejam assertivas logo de início. A concordância é de que o governo deve ajustar as contas e fazer o dever de casa, além de apoiar a produção industrial para geração de emprego. Sendo assim, deve-se aguardar quem vai assumir a responsabilidade e o quão rápido vai ser para colocar as coisas em ordem.




