
O que não falta à turma de alunos do 2º e 3º ano do ensino médio da Escola Estadual Arnaldo Busato, em Nova Concórdia, é motivação. Bastou que a professora Elizane Terezinha Vansetto Barbacovi lançasse o desafio para que garotada topasse na hora. Então, num belo dia, eles resolveram sair da sala de aula e levar o que aprenderam nos livros e pesquisas para o muro da escola.
Divididos em grupos, os alunos do 2º ano ficaram responsáveis pela parte do muro que faria uma homenagem ao escritor, poeta e compositor curitibano Paulo Leminski. E foi feito. Os alunos pesquisaram na internet e em livros e colocaram a mão na tinta. Alguns com dotes para o desenho ficaram responsáveis pela pintura das caricaturas de Leminski, com ênfase para o característico bigode. O objetivo, além do aprendizado da literatura brasileira, foi relembrar que no mês de agosto, dia 24, o escritor completaria 70 anos.
Na outra extensão do muro, a arte ficou por conta dos alunos do 3º ano. Depois de muita pesquisa, eles decidiram, junto com a professora, dar destaque aos escritores africanos. Chamou a atenção dos alunos o trabalho poético de Mia Couto, o mais popular dos escritores africanos de língua portuguesa, além de José Caverinha e outros nomes. A opção pela literatura africana se deu pelo interesse dos próprios alunos, que estão estudando o tema em sala de aula. “Com a pintura no muro conseguimos estudar melhor a cultura da África, que tem a língua portuguesa. Essa descoberta foi muito interessante.”
Muro mudou a cara da escola
Pequenos trechos de poesias fizeram a diferença no muro da escola. As frases foram escolhidas a dedo e uma, do escritor africano Mia Couto, causou até polêmica na comunidade. A frase diz o seguinte: “Cada um descobre seu anjo tendo um caso com o demônio”.
Segundo a professora e os alunos, o simples fato de a palavra “demônio” estar no muro chocou algumas pessoas de Nova Concórdia, que se perguntavam: por que usar a palavra demônio, não podia ser outra coisa? Para os estudantes, a ideia era justamente chamar a atenção de quem passa pela escola e incentivar a leitura crítica e reflexiva. Deu certo.
Como ainda há muito muro para pintar, o trabalho não deve parar. Se depender do entusiasmo da professora Elizane e da parceria dos alunos, o muro da Escola Arnaldo Busato em Nova Concórdia jamais ficará sem graça.




