Gestão de crise em Brumadinho: o racional e o emocional

O que realmente esperamos é que não seja necessário outra barragem desmoronar para que o racional entre em ação para evitar o sofrimento que o emocional é capaz de provocar.

Existem situações em que, quando vemos de fora, demoramos a compreender o tamanho e a gravidade do acontecimento. A tragédia de Brumadinho provocou destruição em tudo que havia pela frente, em todos os sentidos possíveis. Quando a poeira baixou – literalmente – e o impacto inicial que todo o lado emocional traz foi um pouco amenizado, tudo pôde ficar mais claro. Tecnicamente, em episódios como esse, a comunicação assume um papel importante na união com outras ações e ferramentas que formam o que chamamos de “gestão de crise”. É exatamente neste momento que o racional entra em cena e que um planejamento adequado deve ser executado, seguindo o tempo correto e as atitudes mais sensatas. Vale lembrar que, geralmente, o grande problema a ser enfrentado em grandes crises é a guerra de versões, onde deve se fazer de tudo para que prevaleça sempre a versão oficial, que deve ser transmitida de tal forma pelos responsáveis. No que acertaram e no que erraram? Nos acertos, destaco os itens primordiais, como a rapidez na transmissão de informações aos veículos de imprensa – principalmente no agendamento instantâneo de entrevistas coletivas. Dentro desses mesmos pronunciamentos (e também em outras formas de comunicação) a Vale assumiu a responsabilidade, fazendo o famoso “mea culpa”, que é o mínimo exigido para amenizar o peso sobre sua imagem – e talvez seja a atitude mais importante de todas. Também se somando aos pontos positivos, a ida do presidente da instituição imediatamente ao local da tragédia contribui para a gestão da imagem e controle momentâneo da crise. Indo agora ao tópico dos negativos, foi observado que a Vale – pelo menos até certo ponto – não colocou diretamente todos os equipamentos necessários para o auxílio aos resgates, como mais helicópteros contratados, por exemplo. Um desprendimento e a disponibilização de maquinários particulares seriam mais do que bem-vindos – seriam essenciais. Além disso, também pudemos ver muitas declarações de familiares e amigos das vítimas testemunhando um acolhimento ruim — que, depois de alguns dias, até melhorou em alguns pontos —, mas que no panorama geral ainda deixou a desejar na forma que deveria ser a ideal. A dor de Brumadinho vai demorar a passar. Os problemas causados pelo desastre também. A grande certeza é que nada nunca mais será igual. O que realmente esperamos é que não seja necessário outra barragem desmoronar para que o racional entre em ação para evitar o sofrimento que o emocional é capaz de provocar.

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