O marketing mais despretensioso que eu já vi

O motivo para o resgate de seu nome foi uma comparação de estilo com o presidente Bolsonaro. No caso, mais especificamente, com o vestuário simples que já foi registrado em várias oportunidades.

O destino e suas coincidências trouxe a figura do ex-presidente uruguaio José “Pepe” Mujica para o meio dos debates acalorados das redes sociais na última semana. Daqueles que eu costumo chamar de “debates eternos”, onde todas as partes ficarão argumentando, da forma que melhor lhes convêm, eternamente, até alguém cansar. O motivo para o resgate de seu nome foi uma comparação de estilo com o presidente Bolsonaro. No caso, mais especificamente, com o vestuário simples que já foi registrado em várias oportunidades. Se a comparação fosse outra, eu até estranharia. Afinal, pelo menos dentro dos padrões estabelecidos, nosso presidente é um clássico político de direita, enquanto Mujica é de esquerda. Aliás, esse sim se pode afirmar com todas as letras que é e vive o socialismo como ele realmente é. Talvez seja um dos únicos no mundo atual em se tratando de políticos. Quando citei que relembrar Pepe neste momento seria uma coincidência do destino foi pensando que acabei, há alguns dias, a leitura de um livro sobre ele. Em minha busca por conhecer vários perfis políticos distintos, analisar sua imagem e os efeitos causados, não poderia deixá-lo de fora. Uma personalidade que, mesmo estando longe da utópica perfeição (inclusive, afirma-se internamente que deixou muito a desejar em seu governo em questões básicas), é respeitado até mesmo por quem pensa muito diferente. Foi aí que achei interessante abordar — ao menos para quem ainda não conhecia — um pouco de todas essas descobertas. O momento, sim, foi mera coincidência. Mas ajuda, né? Independentemente de posições ideológicas, Mujica é uma figura até mais interessante fora da política do que com a faixa presidencial. Muitas de suas atitudes são admiradas justamente por se diferenciarem tanto do que vemos por aí. Quando assumiu a presidência, ele jamais morou na residência destinada ao ocupante do cargo máximo. Preferiu continuar em sua casa simples e de pouquíssimos cômodos, na zona rural de Montevideo. Do seu salário, doava mais de 80% a projetos sociais que apoia e ajuda com as próprias mãos – literalmente. E por aí vai, os exemplos nesse sentido são muitos. E perceba que pouco falei de política. Certa vez, Pepe foi descrito por um jornalista como “o presidente mais pobre do mundo”. Ele não aprovou nem um pouco. E foi aí que expressou, mais uma vez, uma de suas características que eu, particularmente, mais gosto: o jeito de ver a vida. Respondeu dizendo: “Eu não sou pobre. Sou sóbrio, de bagagem leve. Vivo com apenas o suficiente para que as coisas não roubem minha liberdade”. Resumindo: para o ex-presidente, quanto mais bens materiais ele adquire, mais motivos tem para se preocupar. E essa preocupação lhe tira o tempo livre para ter a liberdade de fazer o que mais gosta. É de se pensar. Apesar de, politicamente, não ser uma unanimidade e ter recebido mais elogios fora do que dentro de seu País, Mujica é uma personalidade diferente. Conseguiu ser um verdadeiro conciliador e até mesmo tomar medidas polêmicas com a tranquilidade que só ele tem. Essa é a sua imagem, o marketing mais natural e despretensioso que já vi, feito sem fazer nada.

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