Os partidos nas redes sociais

O lado mais preocupante do levantamento, e que responde o grande questionamento, é o de que, sim, existem partidos que ainda destinam pouca atenção para a comunicação digital.

Atualmente, poucas coisas ocupam tanto espaço em nossas vidas como as redes sociais. E quando se trata de ganhar espaço na vida das pessoas, surge aí um imenso interesse por parte dos partidos políticos, criando canais diretos e livres para levar suas mensagens a fim de atrair simpatizantes e também alimentar sua militância com informações. Mas, independentemente de suas linhas de comunicação, os partidos políticos estão realmente presentes nas redes sociais? Para ajudar a responder um pouco dessa pergunta, nos últimos dias recebi um levantamento feito pelo brilhante colega Marcelo Vitorino – profissional nacionalmente reconhecido no marketing político digital – sobre o uso das plataformas digitais por parte dos partidos brasileiros e até de alguns estrangeiros, para comparação. São dados superficiais, apenas a título de informação, que não visam e nem podem julgar trabalho nenhum. Eles apenas revelam um pouco da atuação partidária nas redes sociais e fornecem algumas constatações interessantes: em primeiro lugar, é claro, a explosão do PSL – fruto da grande onda das últimas eleições. O partido do presidente mantém o foco principal em publicações mais visuais (fotos e vídeos), com pouco texto, e aposta mais no You Tube (sim, também pode ser considerada uma rede social) e no Instagram. Já o partido Novo, que já nasceu com uma mensagem moderna e totalmente direcionada ao digital, tem um viés mais voltado à interação com a população e utiliza prioritariamente o Facebook e o Instagram. Em outro ponto importante do estudo foi possível responder a um questionamento que eu, particularmente, sempre mantinha em mente: em linhas gerais, como os partidos mais tradicionais estariam levando sua “rotina digital”, visto que sempre estiveram acostumados com os meios convencionais? O cenário revela que a plataforma que está sendo dominada por siglas como o MDB, PSDB e PT é o Twitter, onde geralmente se concentram mensagens mais diretas e incisivas – principalmente por conta da limitação de caracteres. Porém, o lado mais preocupante do levantamento, e que responde o grande questionamento, é o de que, sim, existem partidos que ainda destinam pouca atenção para a comunicação digital. O Podemos e o Democratas, por exemplo, contam com menos de 40 vídeos publicados no You Tube. O PDT – outro partido tradicional – tem pouquíssima atuação no Instagram e outras siglas, como PTB e PSD, nem tiveram contas encontradas na plataforma. O real motivo de nominar e especificar cada rede social é justamente mostrar que nenhuma deve ser deixada de fora nessas situações. Cada uma carrega uma linguagem específica, e atingem públicos em especial e que, se tratando de instituições de abrangência nacional, devem ter o seu espaço aproveitado. Ah, sim! Antes que eu esqueça… quanto aos partidos estrangeiros, podemos tirar bons exemplos. O argentino Cambiemos e o espanhol PSOE conservam números impressionantes de visualizações no You Tube, principalmente levando em consideração o número de eleitores de seus países. É claro que questões culturais e muitos outros fatores também devem ser levados em conta, mas o caminho é esse e a importância se vê na prática. Afinal, todos nós já pudemos presenciar do que as redes sociais são capazes.

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