E o vídeo do canal do governo, hein?

Em pleno domingo, “misteriosamente”, surgiu, nas plataformas digitais do Planalto, um vídeo que traz em seu conteúdo uma negação do golpe, afirmando que o movimento nunca foi uma ditadura.

Ah, os mistérios da Internet… pois é.

No último domingo, dia 31 de março, foi o aniversário do golpe militar de 1964. Mas já há algumas semanas os discursos inflamados se arrastam nas rodas de conversa e nas redes sociais, principalmente entre os debatedores mais intensos.

Aliás, já imaginou se as redes sociais acabassem do dia para a noite? Que horror. Bom, vamos aos fatos da questão. Aniversário se comemora. Ou não?! Minha opinião — muito bem formada — não vem ao caso aqui e agora. Mas as pessoas (os “populares”, como dizem os programas policiais) queriam saber e, mais do que isso, brigaram por sua posição. Inclusive, muitos desses sendo verdadeiros formadores de opinião.

- Publicidade -

No meio de tudo isso, surge mais um episódio curioso envolvendo a comunicação do nosso governo. Em pleno domingo, “misteriosamente”, surgiu, nas plataformas digitais do Planalto, um vídeo que traz em seu conteúdo uma negação do golpe, afirmando que o movimento nunca foi uma ditadura.

Quando digo “misteriosamente” é porque a própria Secretaria de Comunicação governamental afirmou que não sabe como o vídeo — que foi deletado logo em seguida — foi parar nas redes oficiais.

Segundo a versão da Secom (Secretaria de Comunicação), o vídeo foi utilizado para distribuição a veículos e jornalistas para explicações acerca do episódio, mas jamais foi cogitada a sua publicação em tais páginas.

Obviamente não me cabe falar aqui de pontos ideológicos. O que me compete comentar é: como pode isso acontecer? Na teoria — como já disse dezenas de vezes —, a comunicação do Governo Federal deve ser formada pelo nível mais alto de profissionalismo que se pode ter no País.

Uma peça que de maneira alguma poderia estar ali não deveria ter entrado no ar nem por um minuto, ainda mais sem explicações. É claro que todos já sabemos a posição do presidente sobre o tema. Mas isso, obviamente, não pode se misturar aos canais oficiais do governo, onde as opiniões pessoais têm que passar longe.

Para chegar ao acesso a esses canais, coisa simples não é. Ou, pelo menos, não deveria ser. Até porque o acesso também não deveria estar nas mãos de alguém incapacitado ou sem as orientações necessárias para a função. Afinal, uma publicação em um local tão visado não permite que se volte atrás. E rede social é coisa séria! Séria na forma de se utilizar e séria nas consequências que podem trazer.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Destaques