A culpa é nossa

Cada um de nós deve ser responsável e jamais transmitir informações duvidosas, sem procedência, e vindas de veículos desconhecidos.

Na última semana, Brasília recebeu um seminário focado no futuro das fake news, pensando especialmente nas eleições de 2020, que estão cada vez mais próximas. No evento, que contou com a presença de membros de vários poderes, os especialistas foram praticamente unânimes em afirmar que não existe uma fórmula exata que seja capaz de exterminar as notícias falsas de uma vez por todas. A justificativa para isso é muito simples: como tal atitude dependeria de um tipo de regulamentação, todo esse processo teria de tramitar burocraticamente e de uma forma “engessada”. Ou seja, iria levar um bom tempo para se concretizar, e alterações posteriores seriam extremamente dificultadas. Nenhuma novidade até então. Porém, todos nós sabemos que a internet é muito mais rápida do que a burocracia brasileira. Uma lei jamais seria suficiente para deter uma rede que encontra novas soluções o tempo todo. Além da união dos três poderes em prol do combate às fake news e da punição de quem as cria e dissemina, o principal movimento deve partir dos próprios cidadãos. Cada um de nós deve ser responsável e jamais transmitir informações duvidosas, sem procedência, e vindas de veículos desconhecidos. O fato da ilegalidade e da imoralidade de se criar conteúdos inverídicos é algo que nem precisamos comentar. Porém, percebe-se claramente que algumas pessoas inocentes (e outras nem tanto) insistem em todos os dias inundar suas redes com absurdos não apenas políticos, mas que envolvem várias questões da sociedade. É aí que mora o xis da questão. Em muitas oportunidades, acredito que se perde a noção do quanto uma fake news pode ser danosa na vida e na carreira de uma pessoa. Uma notícia falsa é capaz de gerar ódio, que se transforma em violência, atentados, perseguições e ameaças. Nesse caso, viver em sociedade pode se transformar num verdadeiro inferno não apenas para quem é diretamente atingido, mas também para sua família. E a responsabilidade disso, por incrível que pareça, é toda nossa. É das pessoas comuns, como aquela tia do WhatsApp que não se dá ao trabalho de ao menos verificar qual foi a raiz daquele conteúdo. Ou daquele amigo que incrivelmente não percebe uma montagem absurdamente malfeita em determinada imagem. Nem mesmo aquela publicação básica, sobre determinado alimento que cura o câncer está livre… então, na dúvida, é sempre melhor não compartilhar. Porém, às vezes, só se vê o que se quer enxergar. Toda a complexidade que envolve os mecanismos por trás de uma fake news – assunto que já falei aqui anteriormente – nos mostra que, mesmo sendo complexo, nada disso funcionaria perfeitamente sem os cidadãos comuns que, muitas vezes, se deixam cegar por paixões políticas, ideológicas ou por simples desleixo. Portanto, nada pode tirar a nossa culpa no cartório. Como muito do que acontece em nosso País, essa nova febre que adoece nossa sociedade depende muito mais de nossa própria consciência do que de normas, papéis e assinaturas. O mesmo cuidado que temos ao afirmar algo duvidoso pessoalmente deve ser tomado também nos perfis das redes sociais, não apenas pelas questões morais, mas também pelo fim da impunidade no ambiente virtual – algo que, cada vez mais, é uma realidade.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Destaques