O Peso-Real é viável?

Essa possibilidade gerou alvoroço por parte da mídia e indagações importantes a respeito do tema

Em visita à Argentina, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, cogitou, juntamente com outros membros presentes nas reuniões oficiais da visita, a possibilidade da criação de uma moeda comum para a América do Sul, o Peso-Real. Essa possibilidade gerou alvoroço por parte da mídia e indagações importantes a respeito do tema, que sempre tem seus defensores e opositores. Vejamos pelo lado dos países envolvidos nessa integração monetária: estes serão beneficiados pela estabilidade dos preços no bloco, sendo possível realizar projeções e cálculos de custos mais assertivos. Certamente, haverá aumento no fluxo comercial dentro do bloco, assim como ocorre na zona do Euro, gerando também eficiência na produção destes países. Hoje o fator câmbio é um limitante destas operações, que dificultam as transações comerciais, além de colocar taxações que encarecem os produtos. Assim, uma moeda comum tenderia a diminuir esses entraves, ou seja, aumento da movimentação comercial entre esses países. Embora seja um bom negócio para os países ingressantes, as transações com outras regiões ficam comprometidas. Um País, com moeda mais forte, perderá sua flexibilidade de negociação com países fora do bloco, e dependerá da força dessa nova moeda para equiparação de preços e transações comerciais. Ter um câmbio próprio e flutuante é uma grande vantagem para administrar sua política monetária e amortecer possíveis variações de preços entre produtos internos e externos. Sendo assim, para que haja uma integração monetária é necessário muito estudo, principalmente no que diz respeito à situação do Brasil perante outros parceiros comerciais, que não sejam do bloco integrado. Um exemplo é o dólar americano, que afeta diretamente as negociações por aqui. Com o dólar alto, as empresas ganham mais exportando, em contrapartida, os produtos internos ficam mais caros, pois os produtores conseguem preços melhores exportando, gerando inflação para o País. No caso de uma integração, onde a moeda poderá ficar mais fraca do que a que já temos, essa situação se agrava ainda mais, e o País pode atingir níveis inflacionários semelhantes aos seus vizinhos, o que, certamente, não é uma opção que o Brasil gostaria de experimentar novamente. Como é de conhecimento de todos, países em desenvolvimento importam muito, o que também seria outro agravante, sendo que empresas que dependem de matéria prima, tecnologia ou insumos estrangeiros verão seu custo de produção aumentar. Portanto, tudo dependerá se essa nova moeda será forte o suficiente para manter os níveis adequados das transações comerciais fora do bloco e, logicamente, as cláusulas contratuais que envolveram a formação desta nova zona de comércio.

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