Um dos principais objetivos em se obter tais informações é, através de algoritmos (elementos de inteligência artificial), saber quais são as preferências, opiniões e pensamentos de cada usuário da rede social.
Quem diria, heim! Depois de mais de um ano de investigações, o todo poderoso Facebook teve, na última semana, uma notícia não muito agradável: após o famoso episódio envolvendo a empresa Cabridge Analytica e a campanha presidencial de Donald Trump em 2016, ficou definida multa de US$ 5 bilhões (cerca de R$ 19 bilhões) por uso indevido de informações pessoais de usuários da plataforma. É o maior valor cobrado pela FTC (órgão americano de defesa do consumidor) até hoje. Com isso, podemos perceber que esse tipo de situação realmente não é brincadeira. Vale relembrar que, após aquela corrida presidencial americana acalorada, o escândalo que estourou em todo o mundo envolveu a utilização de informações de americanos para o planejamento estratégico e veiculação segmentada de peças da campanha de Trump. Todos esses dados, claro, foram obtidos sem o consentimento das “vítimas”. Um dos principais objetivos em se obter tais informações é, através de algoritmos (elementos de inteligência artificial), saber quais são as preferências, opiniões e pensamentos de cada usuário da rede social. Com isso, cada conteúdo da campanha pode ser exatamente direcionado para o público que se identifica com aquilo. Por exemplo: através das publicações de determinado usuário se constata que ele é a favor de leis mais rígidas para imigrantes. Automaticamente o sistema inclui o perfil nesse grupo de interesse e encaminha para sua timeline peças que transmitem especificamente esse tema. Ou seja, fala-se o que se quer ouvir e, portanto, conquista o eleitor instantaneamente. A ideia de segmentar a distribuição de conteúdo é ótima. Aliás, mais do que isso: no formato de comunicação política atual, e se tratando de redes sociais, é algo essencial. Porém, obviamente, não dessa forma. Tudo que não estiver dentro da legalidade é passível de duras punições que vão muito além da questão financeira. A moral e a confiabilidade podem ser manchadas para sempre, até mesmo na internet, onde muitos sempre enxergaram como uma terra sem leis. O risco não vale a pena. Para se executar corretamente (e legalmente) esse tipo de estratégia, apenas um trabalho de longo prazo pode ajudar. Coleta de “leads” (uma espécie de cadastro de pessoas), interação constante com seu público e a formação de uma verdadeira rede de apoiadores é a melhor saída para se construir uma poderosa militância digital que terá o papel de invadir a internet com a sua mensagem. O desfecho deste caso marcante prova, de uma vez por todas, que as redes sociais são verdadeiramente pressionadas para proteger as informações de seus usuários e que, isso não acontecendo, a imagem das empresas envolvidas e também da campanha contratante será extremamente arranhada. O trabalho sério, que também oferece soluções eficientes, precisa prevalecer.





