Essas atitudes provam que toda disseminação de fatos inverídicos começa porque a grande maioria das pessoas procura primeiro ver se concorda com o que está sendo dito, para só depois querer saber se é verdade.
Cá estava eu rolando pelo infinito feed das redes sociais quando, em meio a um tsunami de fake news, me deparo com um baita artigo que surgiu como uma luz aos olhos de quem observa assustado o túnel que nossa sociedade está atravessando. O assunto? Fake news, é claro! O conteúdo publicado pelo Estadão e compartilhado pela colega Michelli Arenza, competente jornalista da RPC, fala daquele que – agora mais do que nunca – é o principal ponto a ser tocado quando se fala do tema: a motivação das pessoas em ver, espalhar e se esforçar muito em acreditar em situações absurdas. Uma das piores constatações que esse episódio particularmente me traz é a de que os grupos mais facilmente identificáveis desse perfil estão se tornando cada vez mais universais. Ou seja, os compartilhadores de notícias falsas não são mais apenas os mesmos de sempre, as pessoas pouco instruídas, ultrapassadas ou mal avisadas. A cada dia podemos ver empresários bem sucedidos, pessoas experientes, com ensino superior e – pelo menos até então – bom discernimento de tudo que acontecia em volta, entrando para esse time nada seleto. Em alguns outros momentos já pude abordar o mecanismo complexo que envolve esse tipo de prática que está cada vez mais sendo criminalizada – finalmente. Mas agora estamos chegando ao mais infeliz dos patamares, aquele em que nem a mais organizada técnica é capaz de controlar: o ser humano, suas vontades e erros. A grande verdade é que essas atitudes provam que toda disseminação de fatos inverídicos começa porque a grande maioria das pessoas procura primeiro ver se concorda com o que está sendo dito para só depois querer saber se é verdade. Ou melhor, em muitos casos isso nem passa pela cabeça. Nessa dura e triste realidade, o mundo se torna um lugar onde só se fala o que se quer ouvir. Onde muitos vivem numa bolha fechada, onde habitam apenas os membros do próprio grupo, normalmente com um pensamento cego e radical, lutando diariamente pela aceitação em um universo perdido em tanto ódio. A que ponto chegamos!




