Ninguém mais quer se comprometer quando o assunto é política. Nem Spotify, nem Twitter e nem alguns formadores de opinião. Com isso, perdem os meios criativos e ganha a mesmice de sempre.
O recheado ano de 2020 chegou… repleto de eventos e momentos importantes para nossa vida em sociedade, principalmente no âmbito mais próximo – o municipal. Não há como esquecer as eleições que vêm por aí. Nesse e nos outros diversos meios onde a comunicação terá a sua função muito bem definida, só se fala numa coisa: o papel das redes sociais e plataformas digitais – e olha que isso não é coisa só deste ano, não. A bem da verdade, a grande novidade desta vez fica por conta dos novos formatos que poderão ser estrategicamente (e criativamente) utilizados. Porém, ao que tudo indica, não será o caso de uma das mais poderosas plataformas da atualidade. O Spotify anunciou que – no único País em que permitia tal tipo de conteúdo, os Estados Unidos – banirá os anúncios de cunho político, assim como o Twitter já havia feito. Tudo bem… você pode me perguntar o que isso tem a ver com as eleições municipais aqui do Brasil. Mas eu, particularmente, interpreto como um importante sinal de que justamente a principal novidade de mídia do momento pode estar ameaçada. Primeiro de tudo é preciso observar que de nada adianta ter novas possibilidades se cada vez mais os filtros e restrições a determinados conteúdos estão se instalando, ainda mais se tratando de política e suas guerras ideológicas e intolerantes. Algumas plataformas estão preferindo perder dinheiro em vez de se comprometer com problemas desse tipo. A decisão, que ocorreu em meio às eleições presidenciais americanas, foi justificada como “uma crença de que as mensagens políticas devem ser disseminadas, e não pagas”. Em parte posso dizer que até concordo, mas também acho que há exceções, e que conteúdos impulsionados ainda são essenciais, principalmente para se realizar um eficiente direcionamento de público. Resumo da ópera: a grande novidade sobre a presença das redes e plataformas nas eleições deste ano pode não ser mais uma novidade. Pode ser que o que teríamos de diferente acabe antes mesmo de começar. Pode ser que os conflitos vençam as inovações. É triste, mas é verdade: ninguém mais quer se comprometer quando o assunto é política. Nem Spotify, nem Twitter e nem alguns formadores de opinião. Com isso, perdem os meios criativos e ganha a mesmice de sempre, que só engana quem adora se enganar. Portanto, quando me perguntarem como a tecnologia vai influenciar o pleito de 2020, ainda serei obrigado a responder: “do mesmo jeito de sempre”, e isso não será de todo mal. Apenas não será uma novidade – o que é uma pena, afinal, a comunicação vive de boas novas.




