É possível dizer que dinheiro não é o mais importante, pois existem riscos muito maiores de uma má aplicação de verba do que na aposta em um engajamento espontâneo por parte de pessoas que acreditem na sua causa.
Neste complexo ano de 2020, a cada dia que passa nos aproximamos mais dos momentos de decisão nos mais variados setores da sociedade. Em se tratando do principal evento do ano — as eleições municipais —, um dos fatores que mais mexeu com a cabeça dos envolvidos é o fim do financiamento empresarial. Por quê? Vamos lá… Sempre se teve em mente a ideia de que sem dinheiro não se faz quase nada numa campanha eleitoral. Porém, ao mesmo tempo, é possível dizer que dinheiro não é o mais importante, pois existem riscos muito maiores de uma má aplicação de verba do que na aposta num engajamento espontâneo por parte de pessoas que acreditem na sua causa. Mas, de qualquer forma, para se realizar a arrecadação financeira necessária para alguns fins, os candidatos deverão recorrer a novas alternativas que podem potencializar esse processo de doações de pessoas físicas – e vale lembrar que, na maioria dos casos, o fundo eleitoral não será suficiente para todos os candidatos. A boa notícia é que a comunicação e o marketing podem ser ótimos aliados nessa missão importantíssima no contexto atual. Arrecadar de pessoas físicas, seja por meio de doações individuais, financiamento coletivo — também conhecido como crowdfunding eleitoral — ou venda de produtos (prática muito tradicional nas eleições norte-americanas, por exemplo) se tornou um diferencial para os candidatos e, nos próximos anos, será essencial. Toda essa situação ocorre em meio ao desconforto e desconfiança por parte de alguns candidatos e partidos, com receio de que a reação seja negativa por parte do eleitorado quando se tocar no assunto. Além disso, também reina a máxima de que o eleitor brasileiro não doa para político. E é exatamente nesse tipo de situação em que as ferramentas do marketing político servem como uma luva. O primeiro passo para convencer um apoiador a realizar uma doação é, obviamente, ter claro o seu posicionamento e a sua bandeira de campanha. Antes de pôr a mão no bolso o eleitor buscará ter certeza das ideias e dos posicionamentos do candidato, procurando identificação ideológica, proximidade e, de preferência, contato direto. Sensibilização, motivação e mobilização são essenciais! Para sensibilizar, criar empatia é o ponto de partida. Mostrar a história do candidato, suas conquistas, ideologia, posicionamentos em temas importantes e polêmicos. Depois, vêm as bandeiras e propostas: inclua o eleitor na questão, ele precisa sentir que o problema o afeta diretamente. E, por fim, a mobilização – afinal, para resolver o problema e lutar por sua causa, são necessários recursos para vencer a eleição e a participação de todos é fundamental para a vitória. A partir de maio os pré-candidatos já podem criar campanhas de financiamento nos sites autorizados pelo TSE (as doações ficam retidas até a confirmação da candidatura). É importante – e inteligente – ficar ligado nesse assunto!






