Demais produtos que são ligados ao dólar ficam mais caros internamente, e com nosso produto barato para os estrangeiros, pode faltar no mercado interno, como aconteceu com a carne meses atrás.
O ministro Paulo Guedes vem de uma sequência de afirmações polêmicas. Uma delas foi na semana passada. Ao falar sobre a taxa de câmbio, o ministro questionou sobre domésticas irem à Disney. Paulo Guedes, ao tentar justificar o dólar alto, defendeu que o valor mais alto da moeda americana ajuda as exportações e o turismo. E quando o dólar está baixo, além de prejudicar as exportações, facilita a saída de divisas do País, ao aumentar as importações e facilitar a ida de brasileiros para os Estados Unidos, uma vez que o dólar estaria mais acessível para todos. O dólar fechou a semana a R$ 4,30 e para se defender da declaração, Paulo Guedes procurou comparar as visitas aos pontos turísticos brasileiros, pois existem pessoas que vão para Disney três ou quatro vezes por ano e não conhecem pontos turísticos do Brasil, como a Chapada Diamantina, Foz do Iguaçu e a selva amazônica. Nacionalista, Guedes quer ver o turismo nacional em alta. Contudo, o ministro ignora problemas da moeda desvalorizada. O Brasil, assim como outros os países, precisa importar, e com o dólar alto importam caro. O custo de importação vai às alturas e o problema é que o Brasil importa bens manufaturados e exporta comodities, ou seja, a equação a longo prazo não fecha e o Brasil pode ficar no prejuízo. Ainda, existe a concorrência internacional por produtos de alta tecnologia, nesse caso quem tem moeda forte leva vantagem, podendo comprar mais barato, o que não é o nosso caso atualmente. Demais produtos que são ligados ao dólar ficam mais caros internamente, e com nosso produto barato para os estrangeiros, pode faltar no mercado interno, como aconteceu com a carne meses atrás. O fato é que, de alguma forma, algo ainda não está nos eixos em relação ao controle cambial, e para amenizar isso, em vez de providências, o que se vê são explicações desagradáveis e mal interpretadas. Portanto, a indústria brasileira precisa importar máquinas, peças e tecnologia para produzir seus produtos. Caso seja produzido com dólar baixo, ou seja, a um custo baixo, é melhor. O real valorizado permitiria a compra de máquinas e equipamentos de qualidade a preços baixos, deixando a indústria interna mais produtiva e com qualidade, o que venderia mais fácil lá fora, não necessitando recorrer a estratégia de dólar alto. Além do mais, as empresas podem recorrer a outras medidas para se protegerem, com hedge e contratos financeiros bem elaboradas e o turismo interno, melhorar suas estratégias. Porém, é mais fácil desvalorizar nossa moeda, mantendo uma certa estagnação a troco de um crescimento baixo quase garantido. Está na hora de outro patamar, busca de prosperidade e ganho pela qualidade do produto interno.




