Não é só pelos três reais

Vale lembrar que a protagonista do meme, após toda a repercussão do episódio, começou a ceder sua imagem para fins publicitários em troca de cachês que variavam de acordo com o tipo de ação.

Os memes estão realmente dominando o Planeta — em todos os sentidos. Me deparo, nesta semana, com a notícia de que a senhora (ou senhorita) Raquel Motta, estrela do famoso meme dos “treix reaix”, registrado durante um quadro do programa “É de casa”, da Rede Globo, processou, nada mais, nada menos, do que cerca de 56 empresas pelo uso indevido de sua imagem. Tá certa? Certíssima! Entre os processados, grandes redes brasileiras e mundiais foram envolvidas. Juridicamente, claro, isso não é nenhuma novidade. O que espanta é ver que, em pleno 2020, ainda existem profissionais que cometam (e aceitem cometer) erros tão grotescos. Ou pior: são erros conscientes, eu acredito. Portanto, atitudes sem ética e sem noção. Me lembro bem que, nos tempos de faculdade, cursei uma disciplina que se chamava “legislação e ética”. Pouca gente sabe que isso existe numa graduação de Comunicação Social. Pois é… acho que nem alguns que cursaram se lembram disso. Mas enfim, entre alguns dos assuntos tratados, fala-se sobre o Conar — que é justamente o órgão regulador da Publicidade, no Brasil, com a função de fiscalizar e intervir nos casos necessários. Porém, nesse caso da Raquel, a situação ultrapassou essa barreira e foi para outros âmbitos judiciais. Vale lembrar que a protagonista do meme, após toda a repercussão do episódio, começou a ceder sua imagem para fins publicitários em troca — obviamente — de cachês que variavam de acordo com o tipo de ação. Porém, na terra sem leis que é a internet, se perdeu o controle da situação e, segundo relatou, a própria vítima, os seus próprios seguidores começaram a marcá-la em publicações indevidas. Após isso, foi pedido amigavelmente para que os posts fossem retirados, mas muitas marcas se negaram com o simples argumento de que “ah, todo mundo tá usando… a gente pode também!”. Ingênuo engano. Segundo informações divulgadas, o processo pode render aproximadamente R$ 8 milhões, incluindo danos morais — pelo desgaste da imagem de Raquel — e danos materiais, visto que diversas empresas deixaram de fechar contratos com ela por ter tido a imagem vinculada a concorrentes. E vou te contar… o que eu vejo de casos por aí que poderiam render algumas boladas como essa. É, às vezes parece que alguns têm muito o que aprender ainda. Meme é brincadeira, mas uso de imagem sem autorização pode não ter muita graça no bolso de quem assume o risco.

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