Pode parecer uma medida benéfica, porém no longo prazo pode ocorrer inflação e prejudicar aqueles que tiverem menos acesso ao capital, o que em um momento de falta de mercadorias nas prateleiras pode ser muito perigoso.
A pandemia da Covid-19 tem assolado o planeta, e os desdobramentos nas diversas áreas da vida das pessoas têm causado pânico generalizado. Entre o desespero pela vida, o debate sobre saúde e economia ronda o noticiário, as redes sociais e as conversas informais, contudo, com pouca coisa cientificamente comprovada. O governo foi chamado para combater essa guerra, adentrando na intimidade das pessoas e muitas vezes interferindo em suas escolhas, inclusive de ir e vir. Uma medida típica tomada pelo Estado é o lockdown, termo usado em casos que as pessoas devem permanecer isoladas em casa ou em determinado local. Através dessa medida impõe-se o distanciamento social a fim de conter a proliferação do vírus, que de outra forma se espalharia pelo contato entre as pessoas. Para manter as famílias em casa os governos devem tomar medidas econômicas que permitam tal decisão. No Brasil, o governo federal liberou um auxílio emergencial no valor de R$ 600, pelo período de três meses, para aproximadamente 54 milhões de brasileiros, a um custo de R$ 98 bilhões aos cofres públicos; já nos EUA, fala-se em 2 trilhões de dólares. Com o decreto de calamidade pública, governos podem desistir de cumprir a meta fiscal para 2020 e a dispensa de licitação para contratação pública. Tal medida é justificada pela necessidade de agilidade no combate à pandemia. Um exemplo foi a compra de respiradores no estado do Rio de Janeiro por R$ 198 mil, enquanto outros estados compraram respiradores por menos de R$ 100 mil cada um, praticamente o dobro. Em meio a tantas despesas, a arrecadação cai, seja por causa dos incentivos fiscais ou pela perda de estabelecimentos comerciais que não aguentam o período de crise. Para segurar a barra nesse momento, endividamentos são feitos em todas as esferas. Governos, empresas e pessoas recorrem ao sistema financeiro para se manter, e acontece então a expansão monetária, ou seja, o governo injeta mais moeda na economia. No curto prazo, pode parecer uma medida benéfica, porém no longo prazo pode ocorrer inflação e prejudicar aqueles que tiverem menos acesso ao capital, o que em um momento de falta de mercadorias nas prateleiras pode ser muito perigoso. Assim, quem consegue ter acesso aos empréstimos e liberações por primeiro terá vantagens, mas os últimos “beberão água suja”. Essas pessoas terão acesso ao capital disponível quando os preços estiverem altos, além do que o valor do empréstimo varia de acordo com sua capacidade de pagamento, ou seja, quem pode menos, empresta menos. Em última análise, essa dívida toda terá que ser paga em algum momento, com muito suor dos trabalhadores e de mais reformas que serão necessárias, mais cortes de benefícios para quem mais precisa.




