Queda na arrecadação e as dificuldades do enfrentamento da crise

O dilema sobre aumentar alíquotas, que já são altas, ou cortar mais impostos como medida de auxílio às empresas, prevalece, tirando o sono dos governantes e seus secretários.

A queda na arrecadação do governo federal foi de 28,95% em abril, em comparação com o mesmo mês de 2019. A crise do coronavírus foi a grande responsável por esse dado que reflete, entre outras situações, a possibilidade de atraso no pagamento de tributos como forma de estimular a manutenção das atividades empresariais. Sendo assim, o governo irá receber parte desse valor no futuro, mas caso essa ajuda momentânea não surta o efeito desejado, o fechamento de algumas portas pode elevar a perda nos próximos meses. As dificuldades das empresas têm sido enormes, pois o adiamento de tributos e crédito mais barato não têm sido suficientes para suportar a falta de vendas. É verdade que nos primeiros meses de 2020 a arrecadação foi estável, porém o mês de abril derrubou todos os resultados anteriores, e a previsão é de queda no PIB (Produto Interno Bruto) de 4,7%, configurando uma crise histórica. Sem a arrecadação, o governo começa perder capacidade de combate à pandemia, considerando as esferas estaduais e municipais. A situação se agrava, pois os repasses também devem diminuir. O dilema sobre aumentar alíquotas, que já são altas, ou cortar mais impostos como medida de auxílio às empresas, prevalece, tirando o sono dos governantes e seus secretários. Em médio prazo, afetará os servidores, a compra de medicamentos e demais materiais necessários ao combate de outras mazelas que existem na sociedade, pois não é só o coronavírus que assola a população. Tributar o consumo prejudica aqueles que mais necessitam de ajuda. Para se ter uma ideia, os impostos sobre o pão francês são em torno de 17%, mesmo valor aproximado para o arroz e o feijão. Caso aumente o tributo sobre a renda, o governo impedirá que investimentos no setor produtivo sejam feitos. Tais controvérsias afetam diretamente algumas classes. Os caminhoneiros, por exemplo, pagam altos tributos no combustível, suas margens são pequenas e qualquer aumento nesse setor pode atingir produtos essenciais, como os alimentos. Caso o governo incorra em mais déficits orçamentários, deverá recorrer a novos empréstimos para cobrir o buraco, vendendo títulos de uma dívida que terá que pagar mais tarde, pois não existe almoço grátis e, cedo ou tarde, alguém (nesse caso, a população) vai pagar caro por isso. Sendo assim, uma das formas de minimizar esse problema seria cortar na carne os privilégios políticos, altos salários e despesas diversas, mas isso é difícil e daria outro texto para comentar.

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