Mas, em alguns casos, a escolha não pode ser nada automatizada. Ela tem que ter menos códigos e mais coração. Inclusive para mudar de opinião.
A vida é sempre uma constante evolução, um constante aprendizado. A gente ouve, descobre, aprende e, às vezes, até repensa. E sabe que foi exatamente isso que me aconteceu — mais uma vez.
Sempre falei bastante sobre algoritmos. Um assunto tão novo e tão comentado. Uma inovação tecnológica que, com base em dados e programação, automatiza muitos processos que, anteriormente, eram realizados manualmente.
É a tão falada “inteligência artificial”. Agora, o grande X da questão fica por conta da análise dos dois pesos da balança.
Geralmente, quando descobrimos formas novas e, principalmente, inovadoras de executar tarefas do dia a dia, ficamos impressionados com isso e queremos saber mais, mais e mais, nos prendendo à mágica daquele processo e acreditando numa verdade absoluta.
Mas, como eu vinha dizendo, às vezes é preciso repensar. E é justamente nesta fome de descobrir mais que levamos um choque de realidade… e com os algoritmos não é diferente.
Estou lendo um livro chamado “Dominados pelos números”, escrito pelo grande pesquisador britânico David Sumpter, um mestre dos modelos matemáticos e das probabilidades.
Nesta obra ele fala especificamente sobre como os algoritmos estão dominando nossa vida das mais diversas formas, de compras on-line a sites de apostas futebolísticas.
Afinal, muitas plataformas digitais usam inteligência artificial para automatizar o trabalho desenvolvido. Mas é num ponto em especial do livro que quero tocar hoje.
E é algo que — confesso — nunca havia parado para analisar: até que ponto os algoritmos podem substituir e obter melhores resultados que os humanos? Em muitas análises e exemplos demonstrados no livro, Sumpter prova que, na melhor das hipóteses, os algoritmos conseguem apenas atingir os mesmos níveis do trabalho humanizado.
E mais: mostra também que alguns quesitos jamais poderão ser analisados com precisão pela inteligência artificial, pois é necessário um toque humano para isso.
Porém, ainda existe a única questão que deixa os algoritmos à frente dos humanos: a rapidez com que conseguem processar dados, algo que a velocidade humana não seria capaz.
Talvez seja apenas aquele velho dilema de “qualidade x quantidade”. A sugestão de playlists no Spotify, por exemplo, que envolve gostos e percepções absolutamente pessoais, não funciona tão bem nas mãos da inteligência artificial. Então, a conclusão é pura e simples: a tecnologia é rápida e inteligente. Mas, em alguns casos, a escolha não pode ser nada automatizada.
Ela tem que ter menos códigos e mais coração. Inclusive para mudar de opinião.




