Para se comunicar, a partir de agora, todo cuidado é pouco. O mundo muda e a gente se adapta. E a comunicação não é o que falamos, mas sim o que os outros entendem — está aí mais um clichê imortal.
Estamos vivendo um novo normal. Sim, eu sei que essa frase se tornou o mais novo clichê de nossas vidas. Mas aos poucos, com o tempo e sua implacável função, vamos ir realmente sentindo os efeitos desse “novo normal” na prática, na rotina de cada um e de acordo com cada situação do contexto que, obviamente, não será mais como antes… nem que seja com relação a pequenos detalhes.
Encerrando este estranho 2020, onde a vida não foi a mesma de sempre para todo mundo, é possível perceber que, para alguns, o que acham que é normal insiste em sussurrar no ouvido e criar uma tentação para que se faça.
Em plena pandemia mundial e histórica, é como se aquela velha metáfora do anjinho e do diabinho, um em cada ouvido, tentassem nos enviar mensagens e convencer do que fazer. Neste caso — especialmente neste — deveríamos ser mais fortes que as vozes do mal e simplesmente seguir as recomendações básicas e singelas que nos são orientadas. É muito mais fácil e simples do que sofrer as consequências depois.
E é aí que o poder da comunicação, tão menosprezado em alguns momentos e tão radicalizado em outros, se apresenta como mais uma fonte de responsabilidade em cada passo que ousar dar. Afinal, neste momento, a publicidade vive alguns de seus dias de ouro no ano, com campanhas de Natal, mensagens de fim de ano, chamadas e muito varejo.
Ou então, quem sabe, até mesmo campanhas educativas, orientando, por exemplo, com dicas de segurança para viagens de férias… opa! Espera aí! Viagem de férias? Tudo bem, não está proibido e existem, sim, possibilidades para isso. Mas será que a comunicação, seja na publicidade, jornalística ou em qualquer outra vertente, deve mesmo utilizar seu poder e sua responsabilidade para sugerir e estimular aquilo que se pode evitar? Mais do que uma afirmação, se trata de uma reflexão. Ou melhor, uma orientação.
Tudo isso apenas para lembrar que apesar da vida seguir, ela agora é bem diferente do que era até 2019. E um grande ponto de interrogação sobre o que será em 2021. Mas uma coisa é certa: para se comunicar, a partir de agora, todo cuidado é pouco.
O mundo muda e a gente se adapta. E a comunicação não é o que falamos, mas sim o que os outros entendem — está aí mais um clichê imortal. No mais, um agradecimento especial pelo carinho neste ano que passou. Obrigado pela confiança dos amigos do Jornal de Beltrão, onde sempre me sinto em casa.
Obrigado pela companhia, pelos e-mails e pela atenção. Pelas vezes que alguém me abordou e disse que havia lido o que escrevo por aqui. Obrigado por concordar e por discordar.
Mas, acima de tudo, obrigado por ouvir — através da leitura, claro. E que em 2021 possamos continuar assim: conversando muito, mas ouvindo ainda mais.





