No Twitter ficarão os de esquerda e no GAB os de direita e assim cada tribo no seu lugar, extinguindo o debate e a geração de ideias, e o que é pior: atos de espionagem e invasões que levam à desordem e vandalismo.
No início deste mês vimos o Twitter e o Facebook suspenderem a conta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Certamente a empresa privada tem suas regras e nada mais justo que, sendo livre, esta empresa bloqueie a conta de quem quer que seja que viole as regras.
O que se viu a partir daí foram manifestações de indignação e de acusações contra o ato considerado por muitos como ditatorial por parte das empresas, ferindo o princípio da liberdade de expressão.
Contudo, é o contrário, pois a livre iniciativa resguarda a autorregulação, ou seja: minha casa, minhas regras. Assim, a empresa que de acordo com sua livre vontade bloqueia perfis de quem contraria sua missão, perde cada vez mais usuários, que não se veem representados pelas normativas incompatíveis da empresa que após o banimento de Donald Trump viu seu valor diminuir em US$ 5 bilhões, ou cerca de R$ 25 bilhões em nossa moeda.
Como não bastasse a perda bilionária, a rede social viu surgir diversos concorrentes que buscam espaço no mundo digital, entre eles o Parler e o GAB. Este último transcreveu em sua plataforma todas as mensagens antigas do presidente norte-americano. Para se ter ideia, o GAB registrou mais de 1 milhão de novos usuários em apenas dois dias.
Tudo isso gera uma perda também para os usuários, pois, com essa atitude de banimento, as pessoas podem migrar para plataformas que possuam a mesma linha ideológica e assim afastando o debate, aumentando bolhas ideológicas nas quais quem não compartilha do mesmo pensamento é banido.
É nesse momento que se encontra o maior perigo, uma vez que simplesmente exclui-se aquele do qual você não concorda, mesmo que você esteja errado. Isso quando transferido para vida real pode causar danos enormes oriundos de intolerância e preconceito. Por isso, a atitude da empresa em banir Donald Trump nada tem a ver com o personagem em si, mas sim com o que essa atitude pode causar.
No Twitter ficarão os de esquerda e no GAB os de direita e assim cada tribo no seu lugar, extinguindo o debate e a geração de ideias, e o que é pior: atos de espionagem e invasões que levam à desordem e vandalismo.
Por isso, atos como banimento de pessoas não devem ser bem-vindos, seja essa pessoa de direita ou de esquerda; seja o presidente dos Estados Unidos ou qualquer indivíduo do planeta. Não se pode elogiar tal atitude, que atrasa a sociedade e evita o choque de ideias que levam a solução de problemas da sociedade pela busca do consenso.







