Hoje, o ouvinte também quer ser ouvido. E isso passa, inclusive, pela visão dos clubes e de seus departamentos de marketing. E tem gente que já está acertando há um tempo.
O torcedor de futebol já não é mais o mesmo. Aqui no Brasil, ainda mais. O novo torcedor é o fã de memes, do debate no Twitter e do conteúdo que vai muito além das quatro linhas. Aliás, tá ai! Futebol, um assunto que me anima muito a falar e a torcer.
Os hábitos de consumo de quem gosta de ver a bola rolar, hoje, passam cada vez menos pela bola rolando. O novo torcedor prefere a boa e velha “zoeira” das redes sociais do que 90 minutos em frente à TV.
E mais: assim como em grande parte da evolução dos meios comunicacionais, a velha história da comunicação ser apenas uma via de mão única não cola mais. Hoje, o ouvinte também quer ser ouvido. E isso passa, inclusive, pela visão dos clubes e de seus departamentos de marketing.
E tem gente que já está acertando há um tempo. Outros ainda estão começando, mas já se direcionando ao caminho correto. Sem dúvida nenhuma, o fenômeno arrasador do estranho 2020 contribuiu muito para tudo isso.
O mundo mudou para sempre e até mesmo esse ponto foi incluído no pacote. Além do simples fato de mais canais e plataformas adquirirem os direitos de transmissão dos mais diversos campeonatos e clubes (gerando o famoso “onde vai passar hoje?”), as próprias entidades do esporte começaram a investir em conteúdo voltado exclusivamente para a torcida nos meios digitais.
Bastidores, minidocumentários, entrevistas inéditas, brincadeiras com os rivais e total interação com os torcedores. Quem fez isso se deu muito bem e viu um crescimento vertiginoso não apenas nas mídias do clube como no próprio valor de marca.
Não querendo puxar sardinha para meu lado passional, mas o meu querido e amado Athletico foi um dos pioneiros nesse assunto — assim como já foi em vários outros. Vish… agora puxei um dourado inteiro.
Em um levantamento feito pelo UOL Esportes, baseado num estudo financiado por clubes europeus, até mesmo o mercado brasileiro foi estudado neste assunto. E o resultado é fatal: ou os clubes deixam de lado aquela velha prática de vender ingressos e produtos licenciados a preços altíssimos, ou perderão seus adeptos e, consequentemente, grande parte de suas receitas.
Sim, vão sentir no bolso. A paciência com o tradicional acabou. Hoje, as pessoas — na pele dos ídolos — pesam mais do que as instituições. E o torcedor quer, inclusive, que o clube do coração se envolva mais em pautas sociais e em debates que afirmem suas posições.
E assim vai indo… uma discussão ainda mais longa e complexa, que envolve direitos de transmissão, uso de imagem, responsabilidade social, moedas de troca e muito mais. Ou seja, um novo tempo já começou e não sabemos até onde vai. Mas já está acontecendo. Apita o árbitro!




