A complexidade surge do fato de que os participantes não sabem, de antemão, qual será o lance de seus oponentes.
A utilização dos leilões para compras públicas difundiu-se desde os anos 1990, em especial na área de telecomunicação norte-americana e após isso, com demais casos de sucesso pelo mundo. Os leilões tornaram-se uma ferramenta de aplicação usual para compras públicas. Convencionalmente, os leilões consistem na alocação de propriedade com base em lances de preço entre compradores e vendedores.
Um caso típico é o leilão de gado, em que um lote, ou até mesmo um único bovino é oferecido no leilão por um preço mínimo, em seguida, os interessados iniciam suas propostas dando lances cada vez mais altos, um após o outro, a fim de adquirir o bem. Este caso é conhecido como lance de demanda. Contudo, no setor público acontece o lance de oferta, ou seja, o comprador, no caso o governo, deseja adquirir pelo menor preço e aquele vendedor que ofertar pelo menor lance será o vencedor.
A complexidade surge do fato de que os participantes não sabem, de antemão, qual será o lance de seus oponentes. Por isso existe um ramo de estudo chamado teoria dos leilões, em que seus precursores, Paul Milgrom e Robert Wilson, ganharam o prêmio Nobel de Economia, em 2020. Em seus estudos ficou claro que existem diversos fatores que podem reduzir o lucro do vendedor ou causar prejuízo ao licitante, gerando ineficiências nas compras públicas.
Um dos maiores problemas é o nível de conhecimento dos licitantes sobre o item leiloado. Esta situação pode ser exemplificada no leilão de um automóvel, em que todas as informações disponíveis levam a crer que o bem está em boas condições, porém, podem existir vícios ocultos, como problemas no motor, que só serão identificados com o passar do tempo e utilização. É fácil perceber que, se um dos licitantes obtiver essa informação, os lances serão prejudicados.
Além disso, caso ocorra conluio entre as partes, o leilão não atingirá seu objetivo. A escolha entre dividir o item em várias partes e consequentemente fazer vários leilões é uma opção ao leiloeiro, assim faz-se um leilão com diversos compradores.
No Brasil o formato mais usual é o leilão de preço decrescente, em que o vendedor é selecionado pelo menor preço, além disso, grandes obras ou concessão de rodovias são divididas em lotes, possibilitando a participação de vários compradores. Todavia, a busca pelo maior número de participantes orienta o direcionamento do certame, uma vez que, o preço capturado pode ser mais adequado e a quantidade de especializados aumenta, dando mais qualidade aos usuários finais.






