Não é segredo para ninguém que hoje vivemos a era do cancelamento no mundo da internet e das redes sociais.
Que momentos inesperados viveu o meu coração Athleticano nos últimos dias. Depois de um longo período cumprindo uma punição na justiça desportiva, quando não era possível realizar nenhuma nova contratação de atletas, o clube finalmente anunciou seu primeiro reforço para a temporada 2021.
Por incrível que pareça, nada havia vazado na imprensa anteriormente, como geralmente acontece. E, se tivesse acontecido, talvez teria sido melhor. Bom, lá estava ele, vestindo a camisa rubro-negra e sorrindo para a foto oficial. Marcinho, lateral-direito, vindo diretamente do Botafogo para Curitiba. Mas, antes de chegar, passou por estradas muito turbulentas. E é aí que o problema começa.
Em dezembro do ano ano passado, o jogador se envolveu num escândalo seríssimo, atropelando e matando um casal de professores no Rio de Janeiro. Ele saiu do local sem prestar socorro e se apresentou à polícia apenas alguns dias depois. A partir daí, claro, cabe à justiça dar o veredito da situação. O moral cabe a nós, o legal cabe a eles. Porém, claro, a discussão obviamente iria acontecer.
O clube se manifestou, a princípio, dizendo que tem por política abrir espaço para a recuperação de atletas e cidadãos, por isso está bancando a contratação. Deixando de lado a parte que não me cabe precisamente aqui, quero falar um pouco de outro lado da história, muito mais amplo do que esse caso em específico. Não é segredo para ninguém que hoje vivemos a era do “cancelamento” no mundo da internet e das redes sociais.
Talvez seja mais um daqueles elementos que pairam pelo nosso dia a dia e nem sempre nos damos conta. Mas está aí. As pessoas escolhem temas para abraçar, a onda se forma e se torna avassaladora. É claro que, em casos como esse, a razão e a motivação são mais claras e justificáveis do que nunca. Mas é curioso pensar que, se fosse em outros tempos, quando as pessoas tinham menos voz e espaço para se manifestar, isso dificilmente acontecia.
Afinal, em termos de informação de massa, havia apenas a possibilidade de aceitar aquilo que acontecia e pronto. Nossa potência de expressão era praticamente nula. Inclusive, já vimos casos parecidos no passado. Mas com repercussões absurdamente diferentes. Outros tempos. É, está mais difícil viver em 2021. Tanto para quem faz o bem, quanto para quem faz o mal.
Mas, talvez seja um pouco mais difícil para o mal. E isso, no meio dessa névoa fechada, quem sabe ainda seja um bom sinal. Ao coração Athleticano, resta confiar. Mas ele também bate em um ritmo que diz que tudo isso poderia, pelo menos, ter sido evitado.







