Não há razão do governo possuir uma indústria; o melhor é incentivar que privados o façam, e com eficácia. Além disso, mais empresas geram mais empregos e mais impostos, o que, no médio prazo, será benéfico até mesmo para o governo.
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,2% no primeiro trimestre deste ano e acumula a terceira alta depois da queda no início do ano passado. Com este resultado, o PIB volta ao patamar do período pré-pandemia, ou seja, final de 2019. A alta foi puxada principalmente pela agropecuária (5,7%), indústria (0,7%) e serviços (0,4%), mas entre tantos números positivos, outro que não foi tão amplamente divulgado foi o da queda nos gastos do governo.
Em princípio, essa queda pode parecer prejudicial, pois os gastos do governo entram no cálculo das atividades econômicas, contudo, um governo que está contraindo abre espaço para que o setor privado expanda sua produção de bens e serviços demandados pelos consumidores, que por outro lado se beneficiam da concorrência, uma vez que as empresas brigam por preço e qualidade. Isso significa que o PIB, na realidade, poderia ter sido muito maior caso o governo não entrasse nas contas, pois nem sempre uma redução dos gastos do governo é prejudicial, principalmente quando estes gastos são demasiados altos e favorecem o monopólio.
Assim, o que foi reduzido pelo governo pode ser atendido pelo privado, que fará com mais propriedade de causa, afinal é especializado no que faz, e possui a óptica do lucro — em outras palavras, do rendimento. É preciso render para se manter no mercado. Neste contexto, o governo também faz o que se propõem de forma mais eficaz, como saúde, segurança, educação, justiça, saneamento, assistencialismo, entre outras funções. Não há razão do governo possuir uma indústria; o melhor é incentivar que privados o façam, e com eficácia. Além disso, mais empresas geram mais empregos e mais impostos, o que, no médio prazo, será benéfico até mesmo para o governo.
Por isso, o déficit do governo deve ser combatido com cortes e não com aumento de impostos. Mas sabemos que a medida mais fácil é aumentar os impostos das empresas e dos cidadãos, já que uma ação diferente não geraria resultado imediato. Voltando ao PIB, após a notícia do aumento no primeiro trimestre, o mercado financeiro projetou a previsão anual agora para 3,52%. A informação vem acompanhada de uma alta na previsão da inflação, medida pelo IPCA em 5,24%.
E para conter dentro do limite de tolerância de 3,5%, com 1,5% para mais ou para menos, o Banco Central deve aumentar a taxa de juros. Mesmo que aumente, a taxa de juros ainda é baixa quando comparada com anos anteriores. Se lembrarmos que há pouco tempo estávamos em 14,75%, sendo assim, o valor de 5,5% não parece tão ruim, em especial com o fim da pandemia e aquecimento de alguns setores, como o de turismo.




