
A Loja Maçônica Tríplice Fraternidade nº 37, criada em 21 de abril de 1975, comemorou nesta semana 40 anos de atividades em Francisco Beltrão. Na reunião de quinta-feira, concluída com jantar festivo, teve presença também de familiares, o grupo de jovens Demolay e convidados.
Um dos destaques da noite foram as homenagens ao primeiro maçon da loja, Deonísio Sedor, falecido no ano passado. Foi apresentada uma placa com seu nome, para ser colocada na porta do templo, atendendo decisão tomada na reunião do dia 25 de setembro de 2014. E várias pessoas se pronunciaram sobre ele, destacando não só seu pioneirismo mas também sua atuação exemplar no trabalho, na família e na comunidade.
Histórico da Loja nº 37
O histórico da loja foi apresentada pelos maçons Rodrigo Crippa e Sessuaff Polanski (eles se chamam de irmãos e denominam profanos quem não é maçon).
O texto apresentado por Crippa é o que segue
“Tudo iniciou em 10 de março de 1972, na augusta e respeitável Loja Simbólica Normando Justem do Oriente de Pato Branco com a admissão do nosso saudoso irmão Deonísio Sedor.
No mês de outubro de 1974, o irmão Deonísio licenciou-se do serviço público estadual, passando a residir na cidade de Marmeleiro.
Na reunião de despedida, perante vários irmãos daquela loja, assumiu o compromisso de fundar uma loja no oriente de Francisco Beltrão.
A princípio conheceu o irmão Anoar Gebrael Mochaile, que havia sido iniciado na cidade de Ribeirão Claro, neste Estado, e juntos mantiveram contatos com possíveis membros da loja que pretendiam fundar.
O primeiro convidado foi o irmão Lúcio Antônio Duarte, que de pronto aceitou o convite revelando que seu pai já era maçon.
Em seguinda, foram convidados os irmãos Onorino Rosalino Fávero, Arcelino Leal Santos e Casemiro Comunek, que desde logo demonstraram interesse na ordem.
A admissão desses irmãos foi realizada no oriente de Pato Branco e todos passaram a frequentar as sessões naquela cidade.
Bem próximo da fundação da Loja, foram procurados pelo irmão Oscar Pessati que havia passado a residir nesta cidade e, para completar o quadro, ou seja o número necessário, conheceram o irmão Fernando Miguel, gerente do Banco Bamerindus do Brasil que havia sido transferido para a agência em Marmeleiro.
Com o grupo formado, passaram a reunir-se, semanalmente, na residência de um dos irmãos e faziam estudos maçônicos, sendo que cada um doava o que não lhe fizesse falta.
Sempre que falavam em fundar uma loja, surgia a pergunta aonde?
Se falassem em alugar um local para instalar a loja a resposta provável seria não.
Em contatos discretos, sentiam que a rejeição era grande, mas tinham certeza que se tratava de uma causa justa.
Inexplicavelmente, na época, um profano procurou os irmãos e colocou à disposição da Ordem, sem ônus, uma sala, na qual, com a presença do sereníssimo Grão Mestre e outras autoridades administrativas da Grande Loja do Paraná, no dia 21 de abril de 1975 foi fundada a Loja tríplice Fraternidade nº 37.
Afirmou que a sessão teve como objetivo rememorar a boa vontade deste grupo de homens que, sob inspiração que veio do alto e influência da sabedoria e do espírito humano que nortearam suas vidas, disseminaram os ideais maçônicos pelo Sudoeste do Paraná
Ressaltou que a Loja surgiu sob a direção de homens que não se intimidaram diante das dificuldades e devem ser sempre lembrados e enaltecidos.
Conclui dizendo que “celebrar fatos históricos é o reconhecimento da superioridade da condição humana, que se empenha em conservar a memória do passado pelo significado que teve na construção do presente”.
Iniciado por um mascate
Segundo o relato de Sessuaf Polanski, o primeiro contato sobre maçonaria em Beltrão foi feito por um cidadão árabe, natural do Líbano, que trabalhava como comércio ambulante, denominado “mascate”.
“Antes de vender sua mercadoria, Anoar Gebrael Mouchaileh cumpria na delegacia da Receita Estadual a legalização para seu trabalho em nossa querida Francisco Beltrão. Lá identificou o irmão Deonísio Sedor como funcionário eficiente, educado e pronto para orientar pessoas que buscavam informações para o seu trabalho. Anoar viu no perfil de Deonísio o campo fértil para plantar a semente maçônica em nossa cidade. Acertou plenamente”.
Sessuaf continua: “Deonísio foi o primeiro venerável mestre e seu trabalho profano frente à Delegacia da Receita Estadual constantemente se identificava com irmãos que passavam em nossa cidade e contribuíam com ensinamentos e orientações sábias. As primeiras reuniões aconteceram em um pequeno apartamento, passando para uma casa no bairro Marrecas. Depois numa segunda casa, culminando na garagem da casa de Elíseo Vetorello. Foi fundamental sua decisão de levar a qualquer custo a construção do nosso templo. Tudo foi feito para angariar fundos: rifa de automóvel, bolão nas copas do mundo; no carnaval participávamos na organização e segurança nos bailes do Barro Preto, até com ingresso de circo nós trabalhamos…”





