Crônica
Eleandro Vieira
Mindset gritam na propaganda do vídeo que quero ouvir pra fugir da realidade. Uma poesia qualquer de Drummond. Mindset. Que eu nem sei o que é. Procurei no Google meio com preguiça e entendi menos ainda.
Mulheres acordam às seis da manhã para fazer ioga enquanto eu aciono pela primeira vez a função de soneca do meu despertador com a esperança de que os cinco minutos me façam descansar o que não descansei a noite toda. Fracasso total.
[bannerdfp]
Nem acredito que mais um dia começa. Segunda-feira. Me arrasto até a cozinha. Homens sem camisa e músculos a mostra dão bom dia nos stories com o sol milimetricamente iluminando o ambiente. São donos de tudo. Com um sorriso mais branco do que a neve do Alasca. Até eu tenho vontade de beija-los enquanto enfio um café goela abaixo e como um pão adormecido com margarina e presunto ruim.
Mindset eles dizem. Nem sei o que é. Saudade de quando a música do Fantástico não anunciava mais uma semana de monotonia. Saudade de seus legumes assados e aquele vinho branco ruim, mas que eu tomava a garrafa toda sozinho em plena terça-feira. Mindset. Abro a porta e vou lentamente com meu carro popular financiado pela rua. Mais stories de reikianos e good vibes a cada quinze segundos.
Psicólogos mestres em positividade me dão bom dia sem nem me conhecer. Que vida feliz eles levam. Faça terapia, coma fígado de gado sem cebola. E assim vai a vida entre o ser e nada. Entre o parecer e o nada. A noite a sobra do meio dia. O amanhã a sobra do hoje. E nunca o novo. O que sobrou da vida. O que sobrou do cotidiano e do suor de nossas testas. Mindset.





