Para muitas empresas, crises são comuns, seja no setor ou no mercado como um todo, e planos de contingência estão prontos para serem adaptados e aplicados.
Dados do IBGE mostram que a pandemia trouxe consequências como a queda de rendimento das famílias. De 2019 para 2020 os valores médios de renda caíram de R$ 2.292 para R$2.213, uma diminuição de 3,4% de um ano para o outro. Outro dado destacado é que a desigualdade também aumentou, e por outro lado aumentou também o número de beneficiados por programas sociais. Com o auxílio emergencial, a taxa média de beneficiados passou de 0,7% para 23,7%, atingindo, em 2020, 32 milhões de pessoas que recebiam algum tipo de benefício.
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Diante deste cenário, algumas empresas mostram desempenhos financeiros expressivos. O lucro líquido das empresas listadas na B3, bolsa de valores brasileira, foi de R$128 bilhões, o que significa um aumento de 125% em relação ao primeiro trimestre de 2020 e de 139% em relação a 2019, trimestre do qual nem se falava em pandemia. Apenas a Petrobrás e a Vale representam 40% do total do lucro, sem contar bancos que continuam seus lucros expressivos, e no geral as empresas são consideradas saudáveis ao considerar seus endividamentos dentro da normalidade.
Os ganhos das empresas de alimentos também foram significativos, chegando a R$ 12,93 bilhões. E o mais surpreendente é o setor de energia, que mesmo com a crise hídrica chegou a R$ 14,14 bilhões. Mas por que então a situação está tão ruim para população e tão boa para as empresas? Ao primeiro anúncio da crise, as grandes empresas tomaram decisões, entre elas, renegociar aluguéis que pagam de suas lojas e barracões, postergar ou anular impostos, reestruturar o quadro de funcionários, encontrar novas possibilidades de vendas pela internet, entre outras decisões detalhadamente planejadas. Para muitas destas empresas, crises são comuns, seja no setor ou no mercado como um todo, e planos de contingência estão prontos para serem adaptados e aplicados. Se a maioria das pessoas planejassem como as grandes empresas e tentassem prever crises, a situação poderia estar razoavelmente melhor, uma vez que os períodos econômicos são cíclicos, mesmo que por força da natureza.
Algumas pessoas aumentaram seus gastos durante a pandemia, ao invés de diminuir. O primeiro foi energia elétrica, ar-condicionado ligado o tempo todo; também tem o aumento da velocidade da internet, compras de serviços de streaming para “maratonar” séries e pequenas reformas, que quando começam, se tornam grandes e que talvez não tivessem tanta necessidade assim, sem contar o temor causado que levou a despesas com remédios e planos de saúde.




