Região Sudoeste vai lançar edital para realização de cirurgias eletivas

Atualmente, a região tem milhares de pessoas aguardando para fazer cirurgias eletivas. Elas deverão ser atendidas a partir do fim do ano, com verba do Governo do Estado.

 

Diretora da 8ª Regional de Saúde, Cíntia Ramos afirma que em breve as 
pessoas vão poder usufruir da nova verba para realizar cirurgias eletivas.

Lucas, de Pérola D’Oeste, com seus 8 anos, estuda um pouco, faz parte das oficinas de contraturno da escola e brinca bastante. É um garoto como todos os outros da sua idade.

No entanto, de vez em quando – e com uma frequência cada vez maior -, ele tem de parar a brincadeira ou sair da aula porque seu nariz está sangrando, ou porque perde o fôlego, não consegue respirar ou sofre para conseguir escutar o que os outros dizem.
Isso tudo porque Lucas tem problemas com as adenoides, duas pequenas glândulas que ficam no final na cavidade nasal. O caso do garoto é que as adenoides dele cresceram demais e começaram a obstruir a passagem de ar, o que causa várias dificuldades.
A boa notícia é que a situação é relativamente comum e pode ser tratada com medicamentos nos casos mais simples e com cirurgia nos mais graves – como o de Lucas.
A intervenção é simples e curta, o paciente geralmente fica internado por apenas um dia. Por isso, o problema geralmente é resolvido rapidamente e afeta pouco no desenvolvimento da criança.
Esse não é o caso de Lucas. O menino, que mora com a avó, foi diagnosticado com a alteração dois anos atrás. Na época, aos 6 anos de idade, a adenoide crescida já incomodava demais e o médico do SUS do município disse que seria necessário submetê-lo à cirurgia.
A avó do garoto conta que, quando foi atrás de agendar a cirurgia, o pessoal do posto informou que o menino era o segundo da fila de espera e logo poderia fazer pelo procedimento. Mas o tempo passou e nada aconteceu, só os sintomas se agravaram.
“E ele sofre tanto, porque, imagina, é uma carne que tá ali trancando. Nem dormir direito ele consegue”, conta a avó. Lucas acrescenta: “É ruim, sangra, me dá dor de cabeça bastante e dor de garganta”.
E esse não é um caso isolado. Lucas é só mais um entre milhares de sudoestinos que estão esperando há meses ou anos para realizar cirurgias de adenoide, ortopedia, catarata e muitas outras eletivas – procedimentos que não são de urgência e não trazem imediato risco de vida para o paciente, mas que precisam ser executados.

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Por que demora tanto para realizar uma cirurgia eletiva?

O diretor a 7ª Regional, Nestor Werner Júnior,
espera poder dar início ao mutirão das cirurgias
até o começo de novembro.

Só nos 18 municípios da 7ª Regional de Saúde de Pato Branco, o diretor Nestor Werner Júnior estima que cerca de 3.500 pessoas estejam aguardando procedimentos. 
Os responsáveis pela região de Francisco Beltrão não possuem esse número porque, segundo Rosely Newton, coordenadora da Associação Regional de Saúde do Sudoeste (ARSS), cada secretário municipal de Saúde controla a lista do seu município. 
E, enquanto esse número só cresce, a região não consegue realizar cirurgias suficientes para atender a demanda, como esclarece a presidente do Conselho Regional de Secretários Municipais de Saúde, Ivone Sponchiado. Ela relata que, atualmente, as cirurgias estão “praticamente paradas”.
A diretora da 8ª Regional de Saúde, Cíntia Ramos, acrescenta: “Nós nunca deixamos de fazer essas cirurgias. No Hospital Regional fazemos cerca de 130 por mês, mas é claro que isso é muito pouco perto do número de pessoas na lista de espera”.
Rosely, da ARSS, relata ainda porque foi que a situação ficou desse jeito. “Estamos falando de cirurgias que não trazem risco de vida ao paciente. A demanda hoje tomou esse vulto reprimido em função da quantidade de cirurgias de urgência que entram na frente.”
Com um número alto de cirurgias de urgência, as eletivas acabam relegadas para um segundo plano e, sem muita atenção ou verba, acumulam-se para um número difícil de lidar. Mas esse tempo de dificuldade deve acabar em breve.

Governo do Estado destina verba para mutirão de eletivas
Depois de muito tempo deixadas de lado, as cirurgias eletivas finalmente começaram a receber a atenção devida. A partir do dia 1º de setembro, o Governo do Estado do Paraná anunciou um movimento para realizar em um ano 30 mil cirurgias eletivas.
Para isso, o governador Beto Richa (PSDB) e o secretário de Estado da Saúde, Michele Caputo Neto, anunciaram o encaminhamento de R$ 33 milhões para esse tipo de procedimento em todo o Paraná.
Para os 26 municípios da regional de Francisco Beltrão (Beltrão não está incluso porque tem gestão plena, mais explicações no box), o governo já começou a encaminhar o valor de R$ 1.800.000, que vai ser pago parcelado.
No momento, cada município organizou suas filas e a ARSS assumiu a parte legal da documentação, para dar início às cirurgias. Por enquanto, elas ainda não começaram porque, de acordo com Rosely, a associação está “em fase de chamamento público”. 
Isso significa que a ARSS vai publicar um edital para licitação das entidades e hospitais interessados em realizar os procedimentos. A coordenadora da associação disse que o edital deve ser publicado em breve, mas que ela não sabe precisar a data. Depois dessa licitação encerrada, serão organizadas as filas de acordo com os hospitais licitados.
Na 7ª Regional, o diretor Nestor disse que nesta terça-feira, 29, os responsáveis vão se reunir para definir o valor a ser recebido e discutir a operacionalização do atendimento. “Espero que no começo do mês de novembro possamos começar a atender.”
*O nome Lucas é um pseudônimo, utilizado para proteger a identidade do menino.

Francisco Beltrão não vai participar do mutirão

Como mencionado, o município de Francisco Beltrão não vai receber parte desses R$ 33 milhões que o Paraná vai disponibilizar para as cirurgias eletivas. Segundo Cíntia Ramos, da 8ª Regional de Saúde, isso acontece porque o município tem gestão plena e já recebeu no ano passado um dinheiro diferenciado para a execução das cirurgias eletivas locais. Rosely Newton, da ARSS, reforça: “O próprio município recebe o financiamento e administra por si só”.
No entanto, segundo a secretária de Saúde de Francisco Beltrão, Rose Mari Guarda, a situação não está melhor do que na região. 
Isso porque Beltrão recebeu uma verba do Ministério da Saúde, que definiu em portaria que ela só poderia ser gasta com o Hospital São Francisco. “O hospital tinha condições de realizar até 50 cirurgias por mês e o que ele se propôs no ano passado foi feito”, ressalta a secretária. 
No entanto, o prestador logo retirou seu interesse das cirurgias eletivas. “Hoje a portaria pode reabrir um pagamento em valor dobrado – se o procedimento da tabela SUS custa hipoteticamente R$ 400, a portaria estabelece que pode ser pago até R$ 800 – e o município ainda se propôs a pagar mais um valor com recursos próprios, mas até então o prestador nos relatou numa reunião essa semana que não tem interesse”, conta a secretária.
Ela diz que o hospital afirma que o valor não é atrativo para viabilizar estrutura e equipe para os procedimentos, por isso, as cirurgias eletivas em Francisco Beltrão também estão praticamente paradas, mas a secretária garante que o departamento está fazendo de tudo para completar a negociação com o hospital.

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