Beltrão: Moradores reclamam de novos loteamentos em regiões altas da cidade

Teve famílias que perderam os móveis e demais objetos.

 

Valmor Concolato, morador do Seminário, mostra sua casa alagada por causa da enchurrada que veio de um morro.

A correria foi grande ontem, em Francisco Beltrão, devido ao transbordamento de córregos, deslizamentos de encostas de morros e bueiros entupidos ou que não conseguiram vencer a grande quantidade de água. Os maiores problemas foram registrados nos bairros Jardim Seminário, Pinheirinho, Pinheirão, São Miguel, São Francisco e Cristo Rei. Moradores ouvidos pelo JdeB criticaram a liberação de novos loteamentos em encostas de morros e nos morros.

No Bairro Seminário uma área, no alto, que está sendo preparada para a construção de duas casas e nas áreas com níveis acabou jogando muita água para a Rua Irmão Cirilo e também alagou pelo menos duas casas. Na Rua Argemiro Dellani, foram atingidos dois imóveis. A água e a lama vieram com força, entrando no porão de uma casa e numa outra casa nos fundos onde reside seu Valmor Concolatto. Nos fundos do terreno a lama e água escorreram. 
A filha de Valmor, que mora no porão da casa, teve que agir rápido para retirar as filhas por uma janela. Dentro do imóvel ficaram lama e água que até as 10 da manhã não tinham sido retirados. Seu Valmor, que também teve sua casa alagada, diz que a enxurrada foi causada pelas obras que estão sendo feitas no morro. “Espero que o proprietário arque com as despesas”, disse. 
A casa de Izilda e Valter dos Santos, na Rua Irmão Cirilo, ficou toda alagada. A casa fica abaixo do nível da rua e recebeu muita lama e água. “Quando levantei tava invadindo tudo”, conta Izilda. A moradora disse que a água da chuva nunca tinha entrado em sua residência. “Eu nunca vi tanta chuva como deu essa noite”, afirmou. Ela disse que a pia, nos cantos, já estava “estufando” (estragando) e o guarda-roupa também. A moradora disse que a água e a lama vieram do morro que está sendo mexido para a construção de casas. “Esperamos que alguém tome providência. Foi tudo lá de cima que veio”, contou.

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“Nunca alagou aqui”
No Bairro Pinheirinho, galerias pluviais das ruas Itapeva, Limeira e Diadema e a Avenida Pirassununga não conseguiram escoar a grande quantidade de água e acabaram alagando algumas casas e ruas. Na Rua Itapeva, a boca de lobo da esquina não conseguiu escoar o grande volume de água e alagou pelo menos duas casas, uma delas de Nilva e João Oss. 
A casa tem dois pisos. No inferior ficam a garagem, um depósito e a cozinha que alagaram. O alagamento demorou pouco mais de 20 minutos. “Foi de vereda”, conta João, que trabalha de vigilante. As cadeiras molharam e algumas ficaram boiando. Outros móveis e pertences da família ficaram molhados. Nilva conta que a cozinha americana, instalada há pouco tempo, já apresentou problemas.  A família mora há 20 anos neste imóvel e nunca tinha alagado a residência e o terreno. “É cenas de terror, de pavor, a gente nunca vai ver uma situação dessas”, disse a moradora. 
Parecia o Marrecas
Nos fundos do lote de seu Valdir Boni, na Rua Limeira, a água que veio pela Rua Diadema escou pelo terreno do vizinho e ficou acumulada na divisa. Devido ao grande volume de água e com a sua força, ela arrebentou um pedaço do muro e passou em volta da casa de Valdir. “Parecia o Rio Marrecas”, relatou. O morador disse que nunca tinha visto tanta água cair em tão pouco tempo. Outras casas próximas também tiveram alagamentos dentro, nos pátios ou garagens.
Na Rua São Cristóvão, no Bairro Pinheirão, a água do Córrego Guarantingueta represou num local em que foram colocadas bocas de lobo. Ali, de três a quatro casas ficaram alagadas. Num imóvel, onde tem duas casas, moram Iracem, a esposa e um filho; na casa de trás a filha e o genro. “Não deu de fazer nada. Quando levantamos aquela chuva e a água já tava entrando na casa. Perdemos tudo, tudo”, disse. Até uma moto que estava com o cadeado não pôde ser retirada da garagem.

Novos loteamentos
Os moradores dos bairros Jardim Seminário e Pinheirinho reclamaram da autorização para a implantação de novos loteamentos nos morros e das tubulações pequenas para receber grandes volumes d´água. “Depois desses loteamentos novos tá descendo muita água”, afirmou seu Valdir. Dona Nilva, que mora próximo de um novo loteamento, que fica num morro, afirmou que “tem muita escavação dos loteamentos novos”.

Neste imóvel, na Rua São Cristóvão, foram alagadas duas casas onde moram duas famílias.

 

 

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