Sinvespar diz que indústria do Sudoeste sentiu a recessão, mas ganhou respeito nos últimos anos e agora tem força para reagir.

Cláudio Latreille, Edson Campagnolo, Osmar Mazetto e Cledemar Mazzochin.
Na foto, faltaram apenas Kelvi Krauspenhar e o atual, Francisco Dall’Igna.
Foto: Wanderley Machado/DDM
O Sindicato das Indústrias do Vestuário do Sudoeste do Paraná (Sinvespar) realizou, em tom de otimismo, a cerimônia de posse dos novos diretores no início deste mês. Ninguém esconde que a situação econômica – e muito mais política – que o País enfrenta atingiu também o setor do vestuário, mas lideranças e empresários têm boas expectativas quanto à melhora do mercado e acreditam que é possível encerrar 2016 positivamente.
Nos últimos cinco anos, o Sinvespar esteve sob o comando do empresário duovizinhense Cláudio Latreille, diretor do Grupo Latreille, marca que traz no currículo uma invejável experiência de mais de 30 anos de mercado. O empresário utiliza o termo “fantástico” para classificar o setor do vestuário sudoestino e atribui parte do fortalecimento das indústrias da região ao trabalho da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e à representatividade do presidente Edson Campagnolo, sudoestino de Capanema. “Eu participei de uma reunião há uns quinze anos e, para você ter uma ideia, o Sudoeste do Paraná não era conhecido pelo Governo do Estado. Agora, nosso reconhecimento com as entidades como Sebrae e Fiep, nós estamos muito bem representados”, destaca.
Cláudio se orgulha das conquistas do setor neste período, admite as dificuldades também, mas acredita que a indústria da confecção deva reagir muito em breve. “Assumi o sindicado quando o setor vinha de um crescimento e expansão bacana e hoje, infelizmente, com a economia brasileira, com o dólar aumentando, nós tivemos uma queda em toda indústria. Mas eu tenho certeza que toda a tempestade passa, nos próximos anos nós vamos reconquistar o que nós perdemos e o setor de confecção vai voltar a crescer”, disse.
Outro duovizinhense
A presidência do Sinvespar para o triênio 2015-2018 ficou sob responsabilidade de outro duovizinhense. O empresário Francisco Dall’Igna – ou Chico Franco, como é popularmente conhecido na cidade – é o sétimo presidente a assumir o sindicato e também tem tradição e conhecimento no setor do vestuário. Aos 13 anos de idade, ele iniciou sua carreira profissional trabalhando nas Lojas Pernambucanas. “O meu sonho sempre foi ter uma indústria e todos os meus anos de trabalho foram ligados à confecção, e existiu essa oportunidade, a partir de 2005, de participar em sociedade de uma empresa que já vinha trabalhando no setor, e foi criado a Rastros D’Água, que confecciona jeans”, conta o empreendedor.
Chico analisa que a área da confecção não é diferente dos demais cenários industriais do País. Os lojistas diminuíram seus estoques ao longo do ano passado e têm realizado menos compras. “Mesmo com o declive nas vendas nos últimos dois, três anos, as empresas de marca própria têm dado sustentação, eu acredito que vai se manter assim até uma melhora futura que a gente está torcendo que aconteça logo. Tem alguns setores que a imprensa já divulgou bastante, que é o da facção, que é o terceirizado, esse tem sofrido um pouco mais. Mas a gente já tem números que indicam uma boa melhora”, avalia.
O trabalho intenso do sindicado na região, com apoio direto da Fiep, possibilitou importantes avanços para a indústria da confecção regional, garante Chico Franco. Ele diz que foi possível desenvolver melhor os produtos, o design e até a participação nas feiras e exposições, ainda mais com a chegada da estrutura da Casa da Indústria, inaugurada no ano passado em Francisco Beltrão. “Eu diria hoje que nós já estamos disputando a primeira colocação em qualidade, em número de peças vendidas na nossa região com as demais regiões do Estado. São regiões fortes na linha masculina, no social, no jeans, e isso faz com que no Brasil inteiro veja bem o Sudoeste como um produtor de confecção. A gente acredita que não demore muito e já começa a melhorar, e vai encerrar o ano bem positivo, assim a gente espera”, diz o presidente do Sinvespar.
O ex-presidente Cláudio Latreille incentiva os empresários a se animarem, diz que dará todo o apoio para a nova diretoria e sugere um bom planejamento para manter as empresas equilibradas neste momento. “O industrial tem que se animar, tem que ter perspectivas. Eu acredito que para 2017, 2018 nós vamos voltar a ter crescimento na indústria de confecção. O atual presidente vai enfrentar os desafios do mercado, da indústria, mas com o apoio de todo mundo, eu mesmo vou apoiar ele, todos os empresários do Sudoeste vão apoiar, eu tenho certeza que no final desses três anos de mandato vai dar tudo certo. Os desafios são grandes, mas, como sempre, vamos superá-los”, afirma.

Foto: Alex Trombetta/JdeB
Setor de confecções é o que mais emprega mulheres
No Paraná, a maior concentração da mão de obra feminina está na indústria de transformação. Até pouco tempo, 230,5 mil mulheres à frente das atividades deste setor. Em seguida, aparece a indústria da construção com apenas 13.576 dos 166,8 postos de trabalho. Com a presença mais tímida, elas ocupam 575 das 6.566 vagas na indústria de extração.
As mulheres têm como principal ocupação o cargo de auxiliar administrativo na indústria extrativa. Já na indústria de transformação, aparecem nos cargos de confecções e roupas, embaladora e alimentadora de produção. Na construção civil as duas principais ocupações são auxiliar administrativo e funções para conservação de edifícios.
Na indústria de transformação, os segmentos industriais que concentram a mão de obra feminina são, respectivamente: fabricação de alimentos, confecções, fabricação de móveis, fabricação de produtos de borracha e material plástico. Proporcionalmente, elas estão em maior número nas atividades do segmento da moda e vestuário). Das 68,4 mil vagas existentes neste segmento, 76% são ocupadas por mulheres.
Para Luciana Bechara, da Fiep, a justificativa do alto percentual está na habilidade manual necessária já que nem todas as etapas da produção são realizadas por máquinas.





