
Foto: Rádio Interativa FM 104.9
Após mais de dez dias de ocupação no canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Baixo Iguaçu, localizada entre Capanema e Capitão Leônidas Marques, o assessor especial para Assuntos Fundiários da Casa Civil do Estado do Paraná, Hamilton Serighelli, reuniu-se com os agricultores manifestantes que acampam no local desde o dia 18.
O Consórcio Empreendedor Baixo Iguaçu (Cebi) tem desmobilizado os trabalhos na obra, inclusive demitindo trabalhadores. Segundo eles, é para conter prejuízos causados pela paralisação da construção.
Na reunião, o assessor se comprometeu em articular um encontro para negociação na semana que vem. Um dos agricultores que terão terras inundadas pela formação do reservatório da usina, Sidney Martini confirma que estão buscando voltar às negociações. “Mas ainda não temos nenhuma resposta da empresa e vai depender deles a nossa desocupação, porque não é culpa dos atingidos essa paralisação da obra, a culpa é da empresa que não oferece uma indenização justa”, alegou.
Segundo os manifestantes, a ocupação começou como um protesto contra a última proposta de indenização feita pela empresa, apresentada no dia 11 de outubro. Os agricultores dizem que ela não cumpre o que havia sido discutido em reuniões e registrado em atas nos últimos três anos de discussões sobre indenização e reassentamento.
O Cebi, por outro lado, publicou nota oficial afirmando que diversos agricultores atingidos se interessaram pela proposta e já estão negociando a partir dela. “A procura de pessoas interessadas na última proposta da Usina Baixo Iguaçu – apresentada no dia 11 de outubro – tem sido intensa. Em função do grande interesse e atendendo a pedidos das famílias e agricultores da região, a empresa estuda reabrir o escritório de Capitão Leônidas Marques nas próximas semanas. Os atendimentos em Capanema, presenciais e pelo telefone (46) 3552-8500, continuam mesmo com a desmobilização das obras”, diz a nota.
Questionado sobre isso, Sidney afirma não ter informações de que muitos agricultores tenham buscado negociar através dessa proposta. “Tenho só o relato de um que foi até lá querendo negociar, mas logo depois tava aqui no acampamento, ocupando também, porque viu que não era bem aquilo que eles diziam.”
A nota do consórcio trata ainda da desmobilização do canteiro de obras e da decisão da juíza da Comarca de Capanema, que determinou o desbloqueio da ocupação: “Sobre a decisão da Justiça determinando o desbloqueio dos portões do canteiro de obras da usina – expedida na quarta-feira, 26 de outubro -, até que a ordem judicial seja cumprida, o bloqueio retirado e as atividades de trabalho sejam retomadas com segurança, a desmobilização do canteiro de obras seguirá”.
A Polícia Militar de Capanema, contatada pelo Jornal de Beltrão na quinta-feira, 27, disse que a desocupação dependia ainda de deliberações e de uma ordem superior do comando.




