Médicas da UTI Neonatal apresentaram dados e falaram sobre os desafios.

Foto: Alex Trombetta/JdeB
Aguardar por nove meses de gestação a chegada do bebê é o prazo necessário para que a criança atinja a maturidade completa para poder vir ao mundo. Com foco nesta ideia a equipe da UTI Neonatal do Hospital Regional do Sudoeste (HRS), de Francisco Beltrão, promoveu uma tarde de palestras e debates pela campanha Novembro Roxo, para marcar o Dia Mundial da Prematuridade.
Ontem, às 14 horas, profissionais de saúde, estudantes, gestantes e a comunidade em geral estiveram no auditório do Hospital Regional. A fala inicial foi com a obstetra Lilian Medina, com o tema “Visão obstétrica da prematuridade”. Ela abordou os riscos e prejuízos que o nascimento prematuro pode apresentar.
Na sequência, a neonatologista dra. Kenny Mattos, abordou o tema “Falando sobre a prematuridade”. Ela destacou que, apesar dos avanços registrados nos últimos anos no Brasil, ainda estamos muito aquém dos países desenvolvidos. Segundo ela, o índice de mortalidade foi reduzido nos últimos anos, mas por outro lado aumentaram os partos prematuros. “Isso acontece graças à tecnologia avançada, que consegue uma boa evolução destes bebês. Hoje temos melhor tecnologia, UTIs mais equipadas e profissionais mais preparados”, disse dra. Kenny.
A intensivista pediátrica dra. Greice Birck apresentou os dados atuais sobre a prematuridade e a realidade do Hospital Regional. Ela lembrou que a UTI Neonatal do HRS é a única presente na área de abrangência da 8ª Regional de Saúde, que abrange 27 municípios com uma população total aproximada de 324 mil habitantes. “Somos referência para obstetrícia de alto risco e risco intermediário para todos estes municípios”, ressaltou.
Segundo dra. Greice, estatisticamente 70% da mortalidade de bebês ocorre antes de completar o 1° ano de vida. No ano passado, foram registrados 34 óbitos de bebês na região, representando uma taxa média de 7,07 óbitos por mil nascidos vivos. Neste ano, a marca já foi alcançada em novembro – são 34 óbitos até agora – e a taxa média atual é de 8,92 óbitos por mil nascidos vivos. “As crianças prematuras são muito mais suscetíveis. A OMS determina que até 10% de óbitos na UTI é um número tolerável, e nós estamos abaixo desta média. A região vem melhorando muito neste sentido, os profissionais tem buscado cursos e qualificação”, destacou.
As três médicas destacaram a importância de uma equipe multidisciplinar qualificada para os atendimentos na UTI Neonatal. E este foi o assunto debatido no encerramento do evento, em uma mesa redonda que abordou o tema “A experiência de uma equipe multiprofissional da UTIN”. A conversa contou com a psicóloga Ângela Moraes, a fisioterapeuta Andressa Zamberlam, o fonoaudiólogo Jorge Peralta, a neonatologista Marielle Monteiro e a enfermeira Vanessa Viana.




