Proposta é que o partido volte a ser Movimento Democrático Brasileiro.
Daqui a quase 40 dias – em 27 de setembro, um domingo – o PMDB nacional fará uma convenção.
Uma proposta que vai para debate e votação é a de tirar o P da legenda e voltar a ser Movimento Democrático Brasileiro (MDB) – sigla que vigorou de 1966 a 1979 como oposição ao regime militar, que tinha a Arena (Aliança Renovadora Nacional) como partido de sustentação.

“Eu acho que seria uma boa ideia, no sentido de resgatar os velhos valores do MDB, valores de patriotismo, amor à Pátria, de pensar um Brasil melhor, com democracia, sem corrupção, o velho MDB de guerra!”, exclamou o prefeito de Dois Vizinhos, Raul Isotton (PMDB).

Peemedebista veterano, o advogado de Realeza Camilo de Toni se contrapõe: “Falando de partido, sempre me recordo do velho companheiro Euclides Scalco, que em uma palestra promovida pelo Lions aqui em Realeza afirmou: a militância deve lutar para mudar os rumos e ideais de um partido e nunca mudar de partido. Pena que depois daquela palestra o Scalco trocou o PMDB pelo PSDB. Faça o que eu digo. Não faça o que eu faço…”.
E dr. Camilo conclui: “Pois bem. Dito isto, eu sou contra mudanças como esta. São oportunistas e apenas servem para confundir os eleitores”.
Romero Jucá
O presidente do partido, senador Romero Jucá (RR), defende a mudança. “Estamos resgatando a nossa memória histórica e estamos retirando o último resquício da ditadura dentro do PMDB; vamos ter uma nova programação, novas bandeiras nacionais e bandeiras regionais”, declarou.

“Quem faz o partido são as pessoas, que precisam ser respeitadas; acho que quem não está contente no PMDB pode aproveitar essa mudança e sair”, destacou Isotton.
O vereador de Francisco Beltrão Aires Tomazoni (PMDB) também opinou, e vai na linha do duovizinhense. “Na verdade, na minha opinião não é o nome que faz a diferença, são os princípios, a linha programática, a decência que falta hoje em grande parte dos partidos”, resumiu.
Era obrigado ter P no começo da legenda
Em 1965 um ato institucional cassou os partidos políticos. A partir de 1966 foi instituído o bipartidarismo, com a Arena aliada do governo militar e o MDB reunindo todos os oposicionistas. Isto durou até a abertura, entre o fim dos anos 70 e o começo dos anos 80. Daí voltou o pluralismo, com o detalhe de que cada agremiação teria que ter um P – de partido – no início da sigla.
Surgiram cinco: PDS (número 11), PDT (12), PT (13), PTB (14) e PMDB (15). Um sexto partido tentou se firmar, o PP (Partido Popular), mas não conseguiu, se incorporando então ao PMDB.
No decorrer dos anos 80 e 90 começaram a nascer (ou renascer) legendas. Até o PCB e o PC do B foram legalizados.
Mas a exigência do P só caiu na década passada. O PFL se transformou em DEM, abrindo a porteira. Depois vieram SD e REDE. Vive-se agora a moda das palavras. PTN virou Podemos; PSL quer ser Livre; o PEN estuda virar Patriota, e até as esquerdas chegam a especular com uma nova organização, o partido Frente Ampla. (BV)





