O manifesto aconteceu de forma pacífica, tendo apenas um incidente de um caminhoneiro que forçou a passagem pelo local ainda nas primeiras horas.

Os motoristas se concentraram em frente ao Posto Lourenço.
Foto: Alexandre Baggio/ JdeB
No início da manhã de ontem, caminhoneiros iniciaram o protesto contra o alto preço do diesel e o baixo preço do frete na PR-281 (em frente ao Posto Lourenço), em Dois Vizinhos. O manifesto aconteceu de forma pacífica, tendo apenas um incidente de um caminhoneiro que forçou a passagem pelo local ainda nas primeiras horas. “Todos estão solidários ao movimento. As cargas vivas estão passando, assim como a via está aberta para carros e ônibus. Não queremos criar transtornos, apenas mostrar a insatisfação da categoria”, disse um caminhoneiro que não quis se identificar. O objetivo é liberar a rodovia às 22 horas, voltando com o manifesto hoje.
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Defasagem de preços
O caminhoneiro explicou que um bitrem, que leva 37,5 toneladas, recebe, para um frete até Paranaguá, cerca de R$ 80 por tonelada. “Estamos sufocados. Abastecendo, em casa, vamos pagar R$ 3,68 o litro de diesel, o que dá quase R$ 2 mil. Vai sobrar R$ 1 mil e pouco, sendo que R$ 300 vai para a comissão e temos mais de R$ 200 de pedágio. Se contar a alimentação de um dia, vai mais uns R$ 60. Então, para Paranaguá, numa viagem de 580 quilômetros, sobra R$ 600 para o caminhão”, explicou. Ele disse que a média de consumo de um caminhão varia entre 1,6 ou 1,8 quilômetro por litro. “É difícil fazer um caminhão chegar a dois quilômetros por litro”, completou.
A viagem, de Paranaguá, segue para o Mato Grosso ou a volta é com adubo, por exemplo, que tem o frete ainda mais defasado. “Normalmente, quem faz o bate e volta, vai num dia, chega de madrugada lá, entra no pátio de triagem, que tem 24 horas pra descarregar. Nesse período, o caminhoneiro sai pra fora, busca outra empresa para pegar o frete pra cá, trazer adubo e tem mais 24 horas até concretizar a volta. Vai três dias, no mínimo, se der tudo certo, pra fazer essa viagem. Aí o adubo paga menos ainda, uns R$ 60, 65 por tonelada”, lamenta.
O diesel, atualmente, está consumindo 70% do valor recebido pelo frete e o caminhoneiro ainda tem toda a manutenção do veículo para fazer. “Um pneu, se você comprar do Paraguai, é R$ 800. Se chegar estragar um pneu, o que sobra não cobre o valor do pneu. Entre contribuição e o valor que fica retido na hora de manifestar o frete pra transportadora, fica em torno de R$ 400, 500 pra fazer o trâmite. O caminhão tem funcionário e tudo mais pra sobrar R$ 600. A transportadora, sem mercadoria ou caminhão, fica com 80% do valor da sobra. É aonde tá sumindo o dinheiro”, conclui.




