Comércio duovizinhense apoia a greve dos caminhoneiros

De acordo com levantamento da Associação Empresarial de Dois Vizinhos (Acedv/CDL), cerca de 80% das empresas ficaram fechadas na manhã de ontem.

Os comerciantes foram até uma das manifestações dos motoristas para mostrar seu apoio. Adesão foi comemorada.

Foto: Alexandre Bággio/JdeB

No final da manhã de quarta-feira, a Associação Empresarial de Dois Vizinhos (Acedv/CDL) emitiu nota apoiando a manifestação dos caminhoneiros e convocando os empresários (associados ou não) para manter os estabelecimentos fechados no período da manhã de ontem, e ir até a PR-281 demonstrar apoio aos caminhoneiros.

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A solicitação deu resultado: cerca de 80% do comércio estava fechado no período pedido e aproximadamente duas mil pessoas foram até o local do protesto. “Os caminhoneiros contam com o apoio de 29 associações empresariais do Sudoeste do Paraná, além de nossas entidades regionais e estadual. Estamos aqui porque o protesto vem sendo feito de forma pacífica e temos que agradecer a todos que fecharam suas lojas para apoiar essa luta que não é só do motorista ou do patrão, é para buscar o bem para todos”, disse Edilberto Minski, presidente da Acedv/CDL.

O presidente destaca que o objetivo é apoiar agora para que os governantes consigam uma solução rápida para esse assunto. “Se isso não resolver agora, semana que vem tudo está parado. Eu, como empresário, me sinto afetado pela greve, mas não prejudicado”, disse Minski. A associação foi uma das primeiras da região a manifestar apoio à greve. “Nós tínhamos a percepção dessa necessidade, porque sobrevivemos do transporte. Dois Vizinhos tem uma das maiores frotas de caminhão da região, devido nossa economia local, nossa agricultura, a avicultura, então essa percepção é necessária que deve ser apoiada”, acrescenta.

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Os caminhoneiros destacaram como os valores do frete não estão alinhados com o dos combustíveis. “Esse valor do diesel é exorbitante e, junto com ele, temos os funcionários e pedágio, o que consome 70% do que recebemos com frete. O caminhão não se paga e muitos colegas estão entregando os veículos, devolvendo pro banco porque ficou insustentável nessa situação”, disse.
Ele comenta que a sociedade toda precisa perceber que essa luta não é apenas da classe. “A presença dos empresários fortalece e soma ao nosso movimento, mas eu acredito que essa luta não é só nossa. O povo tem que ir para rua e ver que a culpa não é só do motorista ou do transporte que chega com valor exorbitante na mercadoria, mas o povo tem que ver se é viável ou não vir para a rua e reivindicar com nós”, acrescenta.

Em Dois Vizinhos, as manifestações estão acontecendo de forma pacífica. “Não houve quebra-quebra, sempre na beira da pista, nunca usamos força, a Polícia Militar não teve problema nenhum aqui”, completa.

Outro caminhoneiro, que também não quis se identificar, reclamou da carga tributária brasileira. “Nós pagamos impostos para termos um País de primeiro mundo, mas não temos nada. Buscamos a baixa no combustível, melhora no frete, mas também queremos um País mais justo, com mais saúde, educação e segurança. Sem caminhões, o Brasil para. Ter a ajuda de vocês, deixa nosso movimento mais forte para buscar todos os êxitos que queremos. A gente quer que a sociedade entenda que não é uma luta de caminhoneiros, mas sim, uma luta por um Brasil melhor”, completa.

Além da manifestação na PR-281, tem outros dois bloqueios em Dois Vizinhos: um na PR-281, no Trevo do Alto Bela Vista e outro na PR-473, sentido Cruzeiro do Iguaçu (trevo da UTFPR). A manifestação fez com que as aulas na instituição de ensino fossem canceladas ontem e hoje.

 

Supermercados
Itens perecíveis já começam a faltar nos supermercados de Dois Vizinhos. Hortifruti e alguns mix de certos produtos não são encontrados na prateleira. “Algumas coisas estão faltando, como o açúcar cinco quilos. Temos também a falta de alguns cortes de carne e, daqui para frente, a situação começa a ficar mais crítica. Desde terça que não conseguimos receber produtos, mas temos a sorte de que em Dois Vizinhos temos muitos fornecedores que mantém o mercado em funcionamento”, disse Elizandro de Souza, gerente do No Ponto Norte.

 

Transporte coletivo e escolar
A NorSul ainda tem estoque de diesel e está mantendo as linhas do transporte coletivo na cidade, mas com algumas alterações: a linha da UTFPR está indo até o trevo (em virtude do manifesto no local) e a linha que vai até a Vale Verde (pela PR-281) também está chegando somente até o local da paralisação dos motoristas. A Secretaria de Educação está mantendo o calendário, mas o combustível para o transporte de alunos deve terminar hoje, se a paralisação continuar.

 

Combustível e gás de cozinha
Desde quarta-feira, a escassez de combustível é percebida em Dois Vizinhos. O gás de cozinha ainda é encontrado nas distribuidoras, entretanto, a movimentação é intensa. “Nesse ritmo, acaba até o final de semana. Nosso caminhão está na estrada e vemos que muitas pessoas estão comprando o casco e estocando os botijões”, diz Heloisa Latreille, da Gás Alberton. Na Vizigás a procura também está muito acima do normal, mas ainda se tem botijões em estoque.

 

Indústrias se reuniram com o prefeito
Representantes da BRF, da Pluma e de outras indústrias se reuniram com o prefeito Raul Isotton (MDB) para relatar os prejuízos que a paralisação está causando. A BRF está sem operar sua indústria desde terça-feira e já deixou de abater mais de 1,5 milhão de frangos. O problema é que a distribuição de rações também está comprometida e os produtores correm risco de perder frangos nos seus aviários. A produção de pintinhos também sofre com a greve: nascem 250 mil novos animais por dia somente em Dois Vizinhos e essa produção não está sendo escoada. Os produtores de leite também estão tendo que eliminar produto. O objetivo da reunião era dimensionar os prejuízos e buscar uma forma de minimizar as perdas.

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