Saúde

Acadêmicas do 4º ano do curso de Enfermagem da Unipar, Beltrão.
Foto: Divulgação Unipar
Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), anualmente 800 mil pessoas morrem por suicídio, isso corresponde a cerca de um caso a cada 40 segundos no mundo. Trata-se de um grave problema de saúde pública que no Brasil vitima em média 11 mil pessoas a cada ano. De acordo com o Sistema de Informação de Agravos e Notificação (SINAN) no período de 2011 a 2016, foram notificados 1.173.418 casos de violências, dessas 176.226 foram relativos à prática de lesão autoprovocada, e 65,9% praticadas por mulheres. O que também se sabe é que para cada indivíduo que tira a própria vida existe um número ainda maior de pessoas que tentam suicídio, estima-se que sejam 20 tentativas para cada ato consumado. Esta foi a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em todo o mundo no ano de 2016.
Levando em consideração essas informações e, conhecendo fatores que aumentam o risco para tais estatísticas, a turma do 4º ano de Enfermagem da Universidade Paranaense (Unipar), Unidade de Francisco Beltrão, desempenhou em setembro algumas atividades diferentes para alertar os demais acadêmicos sobre este agravo, além das discussões importantes em sala de aula. A turma confeccionou cartas que traziam mensagens positivas e disponibilizou num espaço da universidade para a retirada das correspondências. A professora da disciplina de Saúde Mental e Psiquiatria, enfermeira Géssica Tuani Teixeira comentou sobre a dinâmica lançada em sala de aula: “Abordar esse tema é sempre um desafio, porque ao mesmo tempo que temos tanto para discutir, analisar e engajar nossos alunos nesta importante luta, certamente conhecemos alguém que já passou por problemas, que tentou ou tirou a própria vida e então, mexemos na ferida, querendo claro, que ela seja vista, debatida e combatida.
Quando trouxe esse tema para a sala de aula, os alunos pareceram assustados, (porque os dados são, a cada ano, mais expressivos), mas dispostos a fazer algo e então pensamos nas cartas. A ideia era criar uma rede de pessoas que precisavam ler coisas positivas e sentirem- se importantes ao mesmo tempo que despertasse nos demais acadêmicos a vontade de escrever algo para alguém. Os futuros enfermeiros escreveram cerca de 80 cartas e cada um deles sugeria como tarefa, que se a mensagem lhe causasse bons sentimentos, dar continuidade a corrente escrevendo uma também”.
Para a aluna Carla Sabrina Steimbach, “o suicídio é uma epidemia silenciosa e a decisão de tirar a própria vida envolve muitos fatores. A importância de falar sobre o suicídio começa aí: conhecer os fatores de risco, as causas, os sinais e o que leva alguém a tirar a própria vida. Falar sobre o tema se torna prevenção, alerta e conscientização e a melhor forma de ver se algum conhecido, familiar ou amigo está apresentando sinais de depressão ou de idealização suicida é falando sobre isso. Essa atitude pode abrir novas perspectivas e alertar para medidas de prevenção de agravos e promoção de saúde. É importante que a sociedade como um todo, família, escola e grupos de trabalho, amigos e pessoas próximas estejam atentos aos menores sinais e traços, pois perceber esses sinais, podem fazer a diferença na vida de alguém. Você pode salvar uma vida!!! Falar sobre este tema é desconstruir estigmas que abafam a importância desse problema”.
Os suicídios podem ser evitados em tempo oportuno, com base em evidências e com intervenções de baixo custo. É importante estar atento aos sinais de isolamento, frases negativas e mudanças de comportamento, além de buscar auxílio médico e psicológico para uma efetiva prevenção, mas é imprescindível que as pessoas estejam atentas e dispostas a ouvir, demonstrar afeto e empatia pelo próximo. É válido ressaltar que no Brasil, o CVV (Centro de Valorização da Vida) faz apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone 188, todos os dias, atendimento 24 horas.




