A adaptação leva em média de uma semana a trinta dias.
O ano letivo inicia com muitas dúvidas. A adaptação está entre as principais preocupações; a tarefa (ou dever de casa) é outra questão pertinente. Diante disso, o JdeB procurou Mayara Regina Corte Pereira, psicopedagoga, e Luara Molon, psicóloga, para contribuírem com este momento na vida escolar da criança, que interfere na rotina de toda a família.
JdeB – Como tornar a adaptação mais tranquila no berçário?
Mayara Regina Corte Pereira e Luara Molon: Ao nos depararmos com a chegada dos pequenos no berçário, o coração da mãe e do pai aperta, pois estarão entregando seu tesouro nas mãos de outras pessoas. O que vale neste momento é a confiança, conhecer a instituição de ensino, o quadro de profissionais e suas formações. A partir daí é confiar e acompanhar de perto a vida escolar do filho.
Estender um pedacinho da casa para a escola é fundamental, pois até então a criança tinha o contato muito restrito às pessoas mais próximas e, dependendo da idade, ainda percebem a mãe ou o cuidador como a extensão do seu corpo. Vale levar o “naninha”, “cheirinho”, bichinho de pelúcia, toalhinha, ou seja, aquilo que traz segurança e conforto, isso ajuda na adaptação da criança, no conforto dos pais e na rotina dos professores e da escola.

E nas demais idades?
Em qualquer idade o novo gera insegurança e um misto de emoções, que aos poucos vamos aprendendo a administrar. Por isso, a adaptação escolar ocorre em qualquer período, seja mudança de ano, de professor, de escola, de colegas de sala, entre outros. Para tornar a adaptação mais tranquila em qualquer idade, vale a preparação da criança, família e escola, lembrando sempre de preparar para o novo (falando sobre a mudança, passando em frente à escola…), cumprir com aquilo que combinou (horário de chegada, saída…), mantendo diálogo com a instituição de ensino (perguntar como foi o dia, valorizar os avanços…) e a escola estar preparada para os desafios da adaptação (preparar um ambiente acolhedor…).
É importante uma rotina?
A rotina é sempre importante, principalmente para a criança, que não consegue muitas vezes prever a situação futura e, dentro de uma rotina, já consegue estabelecer a ordem das coisas e, principalmente, compreender o que vem depois ou mesmo como as coisas vão acontecer. Ao estabelecer a rotina, a criança já consegue compreender que está se aproximando a hora de ir à escola, o momento da tarefa, ou na escola, a hora que antecede o lanche, o momento de os pais buscarem na saída.
Quais os benefícios da rotina?
O estabelecimento de rotinas diminui a ansiedade e a insegurança da criança, diante das novas etapas, tornando as atividades e momentos mais satisfatórios e produtivos. Além disso, incentiva a criança a desenvolver habilidade de organização em seu dia a dia, essencial em seu crescimento e desenvolvimento.
Os pais também devem se preparar?
Os pais são peças fundamentais nesta adaptação. Primeiro, precisam aprender a administrar as próprias emoções para passar confiança ao filho e à escola. Não importa o quanto esse momento seja doloroso, devemos sempre manter o autocontrole, não falar na frente deles sobre isso, procurar ocupar ao máximo o momento que os filhos estão na escola e conhecer o local e os profissionais que destinaram à escolarização dos pequenos.

Como lidar com a insegurança dos pais?
É claro que as emoções ficam mais afloradas neste momento e saber controlar é a chave para levar uma adaptação tranquila. Por mais difícil que seja a separação, tentar manter a calma e não demonstrar essa fragilidade aos pequenos é super importante. Apesar de ser um momento difícil também para os pais, é importante demonstrar tranquilidade e segurança para a criança, para que ela sinta que este novo ambiente e o contato com essas novas pessoas é seguro.
Quanto tempo leva a adaptação?
Leva em média de uma semana a 30 dias, cada um tem seu tempo. Para alguns o controle das emoções acaba sendo mais tranquilo, porém outros precisam de mais tempo, mas cada um com sua particularidade, que deve ser respeitada. Esse período merece uma atenção muito especial, tanto dos pais quanto da escola. Alguns sinais de greve de fome, falta de sono, agressividade, apatia, merecem um olhar apurado; por vezes é necessário olhar clínico, ou mesmo de profissionais em específico. O alerta vale para o baixo rendimento escolar, falta de interesse nos assuntos escolares, desmotivação, que também são indicativos de investigação e demandam o olhar profissional para orientações e decisões de direcionamento para um bom aproveitamento do ano letivo, seja de um pediatra, neuropediatra, psicólogo, psicopedagogo, entre outros.
Início de ano letivo também significa retomada de tarefas. Quais as orientações?
A lição de casa é um momento de relação entre escola e família, por isso, deve seguir algumas dicas para que este momento se torne prazeroso e não um tormento, sendo um dos grandes motivos de procura no consultório na área da psicopedagogia.
Ações como criar uma rotina de estudos (levar em consideração o horário mais tranquilo e de rendimento da criança), arrumar um local adequado (arejado, luminosidade, longe de estímulos distratores), não dar respostas prontas, oferecer material de apoio, incentivar as pesquisas e envolver a família, aproveitar o momento para saber o que o filho está aprendendo.




