Viagens com Jorge Baleeiro

Beltrão

Por Geonir Vincensi
Por volta de 2006 juntamente com Jorge Baleeiro, começamos a efetuar cinco viagens pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte da Argentina, mais de 17 mil km, viagens de estudo em busca de conhecer lugares e pessoas inerentes à história e à cultura gaúcha, visitas a ruínas, cemitérios, igrejas, monumentos, prédios históricos, museus, estâncias e fazendas; a pessoas como músicos, escritores, artesãos, poetas, enfim, cada viagem era previamente preparada pelo Jorge, com meses de antecedência, roteiro e locais de parada, antes ele mantinha contato por carta ou telefone e depois de confirmado acertávamos os detalhes da viagem. Sempre era uma quantidade enorme de informações, datas, fatos, acontecimentos históricos, versões não confirmadas. Criado por ele, o GEMP (Grupo de Estudos Maneco Pereira), em homenagem ao grande campeiro, era composto pelo Jorge, por mim, Renato Muller e Elóis Rodrigues, mas o mais aprazível com certeza era a companhia do Baleeiro, porque ele sempre foi um apaixonado por história, principalmente do Rio Grande do Sul, apesar de ser paraense, como sempre ressaltava, mas isso não o impedia de conhecer profundamente a história do povo gaúcho. Evidente que a viagem em si dentro do auto era algo prazeroso, o Jorge não parava um minuto de contar casos e causos; quando parava, a gente cutucava porque queria beber mais daquela sabedoria, daquelas informações, daquilo tudo que ele sabia; quando chegávamos nos locais das visitas era um show à parte, Baleeiro era conhecido por muita gente, porque ele já havia passando há anos por estes locais e deixado amigos, conhecidos, admiradores, relembrava fatos, datas, acontecimentos, uma memória privilegiadíssima. Por exemplo, parávamos pedindo informação a um morador da localidade, “…onde fica a Fazenda Santo Antônio? — ah!, uns 10 km nessa direção” —, o Jorge fechava o vidro e dizia “está errado, dá no mínimo uns 20 km…”, no meio do Rio Grande, estrada de chão, sem GPS, sem mapa, andávamos e dava os 20 km, coisas deste naipe; ou tipo que ano morreu o fulano, ah!, foi lá por tal data, parecia que ele perguntava só por esporte, a resposta do parente e conhecido do morto quase sempre era errada, o Jorge matava a jogada na hora e com a data correta, dia, mês e ano e ainda a fonte da informação, um preciosismo apaixonado pela história. Me encantava na sua pessoa a simplicidade e a humildade como tratava um peão de campo e um grande historiador, a mesma prosa a mesma educação. E falar sobre Getúlio Vargas, então, era um espetáculo à parte, acho que ele sabia mais da vida do Getúlio que o próprio; se a gente fizesse uma pergunta sobre Vargas, os olhos do Jorge brilhavam e vinha sempre algum fato inusitado, uma informação nova, alguma pérola sobre a vida do presidente que talvez demorássemos anos pesquisando e não encontraríamos. Parafraseando o poeta, saudade é uma palavra pequena e extremamente apertada no coração, causa muita dor, Jorge Baleeiro, pra que todo mundo entenda, não é lenda, eu conheci este escritor.

OBS – Ontem, por um equívoco, este texto foi publicado como sendo de Sueli Baleeiro. Agora tem a autoria correta: advogado Geonir Vincensi.

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