Pandemias na história: da peste negra à Covid-19

Saúde

Recorte de jornal mostra orientações para cuidado com a gripe espanhola, ocorrida de 1918 a 1920.

Evitar aglomerações, principalmente à noite, não fazer visitas, cuidar da higiene do nariz e garganta, permanecer em repouso. O que parece uma orientação para evitar o novo coronavírus (Covid-19) era um informe publicado em um folhetim há 102 anos. Na época, o mundo vivia a pandemia da gripe espanhola, também chamada por alguns historiadores como “a mãe das pandemias”, embora não tenha sido a primeira. Antes, a peste bubônica, conhecida como peste negra, havia dizimado um terço da população europeia no século 14, e agora Covid-19 tem colocado a prova de fogo os sistemas de saúde do mundo. Segundo o historiador Roberto Pocai Filho, são marcos da história da saúde que precisam ser olhados com atenção para construção de um modelo de sociedade minimamente preparado para amparar diante dos imprevistos.

Na história, após os 200 milhões de mortos deixados pela Peste Negra, foi a gripe espanhola o grande desfio.

Originada nos Estados Unidos, e que de janeiro de 1918 a dezembro de 1920 infectou 500 milhões de pessoas, Filho lembra que sua maior transmissão aconteceu durante uma série de batalhas da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e após os soldados de praticamente todo o mundo voltarem para casa disseminando o vírus – 50 milhões de pessoas morreram contra 30 milhões do grande conflito. “No subúrbio da cidade de São Paulo, moradores da época contavam que era comum cadáveres estirados pelas ruas e o uso frequente de carroças para carregá-los. Esse resultado somente foi possível pois, de início, as autoridades brasileiras subestimaram o poder letal do vírus. Censura e desinformação acabaram trazendo consequências sérias como a morte de 35 mil pessoas, entre essas, destaca-se o presidente na época, Rodrigues Alves.”

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Aids, H1N1 e Covid-19
Anos depois, no Brasil, documentos do Ministério da Saúde disponibilizados no Arquivo Nacional apontavam preocupação com outras doenças, também na escala de pandemia.
Em 1975, autoridades ainda falavam da Cólera, lembrando da evolução da doença e sua chegada ao país.

Depois, em 1987, o Ministério da Saúde elencava a preocupação com a doença que matava 80% dos infectados no intervalo de 4 a 8 meses: a Aids. Os primeiros casos do país surgiram em 1982, em São Paulo e Rio de Janeiro. Em dezembro daquele ano eram seis casos. Em 29 de agosto de 1987 já eram mais de 2 mil.

No mundo, em dezembro de 1982, 711 casos haviam sido notificados à Organização Mundial de Saúde (OMS) por 16 países; em 19 de fevereiro de 1987, 40.770 casos por 91 países – quando pela primeira vez a doença chegava a todos os continentes. Em julho de 1987, o número já era 56.395, registrado em mais de 120 países.

Naquela época, a OMS também alertava: os casos conhecidos no mundo estão abaixo do real. “Esta Organização estima que este número está acima de 100 mil e considera que o número de países notificado oficialmente é o fator mais indicativo da extensão da pandemia”, diz trecho do documento “Ministério da Saúde – Ações e Metas 1987”.

Em 2009 e 2010, a “Gripe Suína” (nome popular da H1N1) foi a primeira pandemia do século 21, quando 200 países tiveram casos confirmados tendo cerca de 19 mil mortes. Agora, o mundo vive a descoberta do novo coronavírus, doença que até o fechamento desta matéria não possuía vacina e com a qual o mundo aprendia a lidar.

Diante disso, Filho faz uma reflexão. “Ainda é muito cedo para fazermos previsões sobre as consequências da Covid-19. O que a história nos ensina é que para controlar uma pandemia devemos ir na contramão do que o governo federal tem feito: precisamos responder aos problemas sociais e de saúde pública com maturidade, investir em políticas públicas e pesquisa científica (…). O fato é: Covid-19 nos pegou desprevenidos e nos deixou com muitas perguntas. As respostas somente a ciência poderá dar.”

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