“Esta situação deixa evidente que o contabilista é um profissional essencial”, diz Ivanir Rufatto, coordenador de contábeis da Unisep FB.

Quando se fala em acúmulo de tarefas em consequência da pandemia de coronavírus, naturalmente se imagina que o setor mais sobrecarregado é o de saúde. No Brasil, porém, um outro segmento está abarrotado de trabalho até mesmo nos municípios onde não há casos de covid-19.
As medidas provisórias do Governo Federal, mudanças na folha de pagamento e nas datas de quitação de tributos, além da liberação de auxílios e do FGTS são algumas das atribuições que chegaram — com a sutileza de um tsunami — aos escritórios contábeis nas últimas semanas.
“Eu creio que nunca tivemos uma fase de tamanha mudança em tão pouco tempo. Os contabilistas nunca foram tão exigidos. É preciso trabalhar como muita agilidade em meio a um cenário novo”, avalia o coordenador de Ciências Contábeis da Unisep, de Francisco Beltrão, Ivanir Rufatto.
O professor cita a MP 936, de 2020, que permite suspender o contrato de trabalho por período determinado ou reduzir a carga horária em 25%, 50% ou 70% com preservação do valor do salário-hora como uma das mais impactantes medidas para o setor contábil.
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“Se a empresa optar por qualquer um destes procedimentos, o escritório contábil deverá repassar uma série de informações. Uma delas é um arquivo que deve ser enviado e que ainda está em fase de desenvolvimento pelas operadoras de sistemas contábeis”, salienta Ivanir.
O professor lembra que tanto em caso de suspensão do contrato como de redução da jornada, o empregado receberá do Governo Federal o Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (Beper), que é gerido pelo Ministério da Economia.
“O Beper é um complemento ao salário que se deixa de ganhar. O trabalhador tem urgência de receber, o empresário quer agilidade no processo, que compete ao contabilista, que por sua vez depende de sistemas e procedimentos novos. Mas a pressão recai sobre o contabilista”, sublinha.
Medidas são benéficas mas exigem atenção
De carona com as medidas para amenizar a situação financeira dos trabalhadores, vieram alterações para reduzir temporariamente o pagamento de tributos por parte das empresas. “O Governo Federal agiu com alguma agilidade e lançou medidas que aliviam um pouco a carga, mas a implementação precisa de muita atenção para evitar erros que possam resultar em penalidades às organizações.”
Com exemplo, o professor usa a MP 932 e a Lei 13.982, de 2 de abril de 2020. A primeira reduz em 50% as alíquotas das contribuições aos serviços sociais autônomos. A segunda autoriza as empresas a deduzir de suas contribuições à Previdência social os valores pagos em relação aos primeiros 15 dias de salário do trabalhador afastado por enfermidade causada pelo covid-19.
Apesar da carga extra de trabalho e da necessidade de implantar, em tempo recorde, uma série de novos procedimentos para atender os clientes, na análise do professor Ivanir, o setor contábil se tornou ainda mais relevante para a sociedade.
“Eu vejo isso como um momento de valorização e aprendizado. Não estou falando de valorização financeira a curto prazo, porque nessa fase, nenhuma empresa está em condições de remunerar melhor. Mas toda esta situação deixa evidente que o contabilista é um profissional essencial. Numa situação como esta, temos um dever a cumprir como cidadãos, que é auxiliar as pessoas a obterem seus direitos”.




