Debora Panho luta pelos direitos das pessoas com visão monocular

Saúde

No dia 24 de junho de 2018, a vida da cabeleireira Debora Panho, 28 anos, sofreu uma de suas maiores transformações. Era um domingo de manhã, ela voltava para casa, em Nova Prata do Iguaçu, quando o carro que dirigia bateu de frente com um caminhão de combustível. Seus pés ficaram presos, cacos de vidro cortaram seu rosto e o olho direito foi perfurado.

Foram três horas até os bombeiros conseguirem liberá-la das ferragens e ser encaminhada ao Hospital Regional, em Francisco Beltrão. “Chegando, já soube que tinha que operar os tornozelos, minha face precisava de muitos pontos e meu olho teria que ser removido. A partir dali, agradeci por estar viva, acreditei que eu iria superar tudo muito rápido. Aquele dia meu mundo parou, mas compreendi que o mundo não espera pra você ficar bem, ou você se entrega ou supera”, conta Debora em um dos relatos em seu Instagram (@adeboraph).

Ela removeu o globo ocular, fez um implante orbitário e utiliza uma prótese com as mesmas características que seu olho tinha. Em seu processo de superação, a jovem decidiu ajudar outras pessoas que nasceram ou precisaram se adaptar, como ela, à visão monocular. Também no Instagram, Debora criou o perfil Team Monoculares (@teammonoculares), onde troca experiência, compartilha informações e batalha pelo reconhecimento da visão monocular como uma deficiência. No Paraná, a lei existe desde 2011, mas ainda é falha em alguns pontos.

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“O meu foco hoje é ajudar outras pessoas que passam pelo mesmo problema que eu. Aqui no Paraná, a lei é reconhecida, mas é muito escassa e não abrange totalmente nossos direitos. A lei que está em tramitação na Câmara dos Deputados será muito boa na questão previdenciária, aposentadoria, isenção de Imposto de Renda e também beneficiará aqueles que tanto precisam de recursos para transplante, cirurgia e prótese ocular. A gente também luta pelas leis municipais. Temos em Palmas, Terra Rica, Nova Prata do Iguaçu, Campo Largo, Cianorte, Coronel Vivida e outras estão em tramitação”, destaca Debora.

Deficiência sensorial
A cegueira ou perda de um olho causa a redução de 25% do campo visual, o que gera inúmeras dificuldades no dia a dia. Os monoculares têm a sensação tridimensional limitada, o que prejudica a noção de profundidade e distância. De acordo com pesquisas da Organização Mundial de Saúde (OMS), a visão monocular é classificada como deficiência visual em razão da perda da visão binocular (nos dois olhos) no processo de formação da visão.

A ementa da lei encaminhada à Câmara Federal classifica a visão monocular como deficiência sensorial, do tipo visual, e assegura aos seus portadores os benefícios previstos na legislação da pessoa com deficiência. “No olho esquerdo, que eu digo ‘olho bom’, eu sou míope e tenho astigmatismo, necessito de óculos e lente de contato. A prótese eu tenho que tirar a cada 15 dias para lavar, dependendo dos dias, se são muito úmidos ou muito secos e como mexo muito com produto químico, eu tenho que limpar por fora sempre. Eu sou cabeleireira, mas não corto mais cabelo, tive que me adaptar, hoje sou especialista em penteado e progressiva”, relata Debora. O uso da prótese tem influência estética, mas também é importante para manter a piscada e para os cílios não inverterem para dentro.

Em um de seus posts, ela também fala sobre os hematomas causados por choques em móveis e objetos, dificuldade para se servir e o perigo de quedas em escadas, por exemplo. Outras limitações estão em dirigir, atravessar a rua, praticar esportes e “outras atividades da vida diária que requerem a visão de profundidade (estereopsia) e a visão periférica”. Algumas profissões, como barbeiro, esteticista, mecânico, costureiro, cirurgião, piloto da linha aérea, motorista e maquinista, também são comprometidas.

Há dois anos, Debora Panho, de Nova Prata do Iguaçu, perdeu o olho direito em um acidente de carro e

agora luta pelos direitos das pessoas com visão monocular (na foto aparece o olho esquerdo porque é uma selfie). 

 

Causas da visão monocular
Uma pessoa pode nascer com a deficiência ou adquirir ao longo do tempo. Doenças como glaucoma, distúrbios infecciosos intraoculares — como a toxoplasmose —, disfunções da córnea ou retina, tumores intraoculares, ambliopia (visão preguiçosa) e traumas oculares —como o do acidente de Debora — são algumas das causas da visão monocular. Entre as complicações estão olho cego ou atrofiado, estrabismo, pálpebra caída, fechamento total, fotofobia (sensibilidade à luz solar ou artificial) e retirada do globo ocular.

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