Mirtes Azzolini: A música é o alívio e o sofrimento dos apaixonados

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Mirtes Theresinha Azzolini 

Portal Cultural (Blog) conta a história de artistas beltronenses
O Departamento Municipal de Cultura de Francisco Beltrão está realizando uma série de entrevistas com artistas que residem em Francisco Beltrão ou que já fizeram parte da cultura beltronense. O blog “Conhecendo o artista como ele é” entrou na rede e é um projeto da Administração Municipal. e tem por objetivo conhecer um pouco da história de cada artista. O projeto busca divulgar o trabalho de todas as modalidades e categorias de artes. 

As matérias são postadas nos blog: https://portalculturaldefranciscobeltrao.blogspot.com e também podem ser acompanhadas na página do Facebook do Departamento de Cultura. As entrevistas são realizadas pelos servidores da Cultura Gabriel Elvas, que é o produtor do Blog, e por July Ioris, que produz os textos. O Jornal de Beltrão faz uma parceria e publica semanalmente histórias de pessoas que marcaram a arte de Francisco Beltrão. Este primeiro texto é sobre a cantora Mirtes Theresinha Azzolini. 

Mirtes Azzolini
Mirtes Theresinha Azzolini, nasceu em Encantado (RS), dia 20 de fevereiro de 1951. Filha de João Azzolini e Pierina Maria Frare Azzolini, casada com Constantino Bonaldo, é mãe de Vlademir José e Aglaé Mirtes, avó Francielle Aglaé. Mirtes é cantora há 61 anos, locutora de rádio há 37 anos e atualmente faz parte do Clube da Viola.

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Seu João e dona Pierina cantavam na Igreja, quando moravam no Rio Grande do Sul. Quando Mirtes tinha apenas 2 anos de idade a família se mudou para Anchieta (SC), e os pais continuaram cantando na Igreja da cidade. Mirtes ouvia as músicas no rádio e tinha muita facilidade para decorar. Com apenas 8 anos, ela era convidada para cantar no alto-falante do cinema de Anchieta e seus irmãos a acompanhavam, tocando violão. Logo depois, começaram a participar de serenatas e reuniões dançantes, Mirtes cantava sempre sem usar microfone.

Estreou no palco aos 12 anos
Aos 12 anos de idade ela se apresentou pela primeira vez num palco. Seus irmãos tocavam e ela cantava ainda sem usar microfone, pois eles ainda não tinham instrumentos eletrônicos. Os bailes eram iluminados por candeeiros e lampiões. “Era tudo muito diferente, as pessoas dançavam e levantava um poeirão. Eu seguia cantando a noite toda, foi um tempo divertido e tivemos muitos momentos engraçados. Eu cantava durante horas e o povo ia dançando e, no final da noite, as aventuras continuavam, na volta para nossa cidade. Fatos curiosos como uma vez que voltávamos de um baile em Romelândia, num Jeep, ficamos sem luz. Fomos até Anchieta somente com a luz da lua”, lembra, rindo, Mirtes.

Gabriel Elvas, produtor do blog, na entrevista com Mirtes.

Estreou no micofone com 14 anos
No ano de 1966, com 14 anos ela cantou pela primeira vez usando microfone. O conjunto passou a tocar com instrumentos eletrônicos. Nesta época ela conheceu o primeiro esposo, João Padilha, que fazia parte do conjunto musical Los Apaches, de Porto Alegre. Ela aprendeu muito de música com o esposo João. Ele acabou saindo grupo e foi tocar no conjunto dela. Seu conjunto já tinha mudado de nome algumas vezes, primeiro foi: “Mirtes e seu Conjunto”. Depois, mudou para “The Mirtes Music” e, na época da Jovem Guarda, “Mirtes and Boys”. Eles faziam bailes em todo Sul do Brasil. No ano de 1967 ela foi coroada a Rainha do Clube Atlético Floresta, de Anchieta SC.

Alguns anos depois, pararam com o conjunto e se mudaram para Chopinzinho, no Paraná. Mirtes começou a participar de festivais, cantou em muitos festivais durante alguns anos e recebeu vários prêmios. Depois, em 1980, já separada de João, ela foi morar no Verê e cantou com o Musical “Os Quentes do Sudoeste”. 

Na sequência, recebeu o convite para cantar no grupo “Os mensageiros da Querência”. Ela cantava todos os estilos de música de baile. Na década de 80 o grupo passou a se chamar “Mirtes e os Mensageiros”. Na época, conheceu Constantino. 

Eles se casaram e Constantino resolveu montar um conjunto para Mirtes “Musical 2001”. Eles cantavam em festivais e participaram de muitos programas de televisão.

Desde 1985 em Francisco Beltrão
Em 1985, ela se mudou para Francisco Beltrão e logo começou a cantar na Rádio Educadora e continuava cantando em bailes. Em 1996 começou a se apresentar junto com Caludir Urbano, nas invernadas artísticas, do CTG Recordando os Pagos. Eles cantavam pelos rodeios em todo o Estado e a invernada dançava. Receberam muitos prêmios. Em 2010, passou a fazer parte do Clube da Viola e participou de muitos eventos culturais cantando com o Clube. Paralelo aos bailes, Mirtes trabalha há 37 anos como locutora de rádio, é chamada carinhosamente como rainha do rádio. Ela já está na Rádio Vale FM, do Verê, há 23 anos, e agora atua também na Rádio Cidade (Web), de Francisco Beltrão. Em 2012 teve a oportunidade de cantar no mesmo palco que “O Trio Parada Dura”, para um público de 40 mil pessoas, abrindo o show deles na Expobel. Em 2014, ela teve a oportunidade de cantar na Igreja Matriz de Putinga, Distrito de Encantado (RS), sua cidade natal, num encontro da Família Azzolini. “Eu não sei o que seria da minha vida sem a música, poucas pessoas sabem que eu sofri a vida toda de fortes enxaquecas, desde muito pequena, não pude estudar por causa da dor, porém sempre cantei, mesmo sentindo dores horríveis. A música me ajudou a superar as dores de cabeça e momentos difíceis da vida, ela me fez continuar. O amor que sinto pela música é algo muito emocionante. Quando canto, vivo intensamente a história daquela música.”, relata Mirtes.

Em 2015, veio o a realização de um grande sonho. Seu CD, com 22 sucessos inesquecíveis gravados pela voz de Mirtes. Neste ano ela cantou no aniversário da cidade de Anchieta (SC). 

Mirtes com os músicos do conjunto “Os Mensageiros”.

Mirtes é autodidata
Autodidata, nunca fez aulas de canto e teve muita facilidade de aprender ritmos e decorar letras. Sempre se desafiou a aprender músicas novas e fazer belas apresentações nos palcos. Costuma dizer que tudo que ela tem deve à música. “A música deu o sustento de minha família, com o dinheiro que ganhei comprei tudo o que eu precisava e sempre me vesti muito bem especialmente para subir nos palcos e me apresentar bonita para os meus fãs”, afirma Mirtes.

Ela diz que, por mais que tenha sido comparada com muitas cantoras famosas, nunca se inspirou em ninguém e sua motivação é o amor por sua arte. “A música é o alívio e o sofrimento dos apaixonados, ela nos faz sorrir e sofrer. Ela nos revela palavras que nossos lábios não podem falar, desperta o infinito. A música é a fala mágica que penetra nas fibras mais íntimas do nosso ser”, conclui Mirtes.

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